Resenha: "Cartas de amor", de Fernando Pessoa
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| CARTAS DE AMOR Autor: Fernando Pessoa Organização: Jerónimo Pizarro Editora: Tinta da China Brasil Número de páginas: 208 Nota: 3,3/ 5 ⭐ |
Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de uma coletânea de cartas escritas por Fernando Pessoa à sua namorada, Ofélia Queiroz: "Cartas de Amor", da editora Tinta da China. Terminei de ler ontem! A obra também reúne algumas cartas trocadas entre Fernando e Madge Anderson, irmã da cunhada do escritor, por quem acredita-se que Pessoa nutria uma certa paixão. O foco, porém , recai sobre as cartas que Fernando escreveu a Ofélia, com quem se relacionou durante o ano de 1920 e, após quase uma década separados, reatou brevemente em 1929. Ah, gostaria de dizer que comprei o livro com o primeiro salário da minha vida, o que me deixa bastante contente hihihihi
"Cartas de Amor" permite que o leitor conheça um outro lado de Fernando Pessoa, para além do consagrado escritor que conhecemos. É divertido ter acesso a esse lado mais íntimo de alguém que figura entre os maiores nomes da literatura portuguesa - e mundial. Por exemplo: é possível ler diversas cartas em que Fernando escreve imitando a dicção de um bebê, falando com Ofélia de modo carinhoso - a quem ele chamava de Bebézinho e Nininha. Desse modo, lemos declarações de amor, cobranças por atenção, momentos de ciúmes, apelidos carinhosos, marcações de encontros... coisas simples que estão presentes na vida de qualquer casal. Acredito que isso colabora para tirarmos um pouco Fernando Pessoa do pedestal de gênio, tão distante do resto da humanidade, para mostrar que ele, em meio à sua genialidade inegável, era ao mesmo tempo alguém como qualquer um de nós. Entretanto, achei curioso como, em diversos momentos, Fernando diz que quem irá se encontrar com Ofélia não era ele mesmo, mas heterônimos como Álvaro de Campos, mostrando que essas personalidades iam além dos escritos do autor e tomavam vida em seu cotidiano.
Não me conformo com a ideia de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação - sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados.
Ademais, a obra conta também com uma apresentação, bastante rica e detalhada, escrita por Jerónimo Pizarro (responsável por organizar a edição). Assim, ele contextualiza os escritos presentes no livro, falando sobre a vida pessoal do autor (com foco no seu relacionamento com Ofélia) e sobre outras edições que também reuniram tais cartas de amor. Há, ainda, uma série de notas de rodapé que auxiliam na compreensão das cartas, a partir de contextualizações - e trazendo até trechos das cartas de Ofélia, visto que o livro se concentra em trazer os escritos de Pessoa. Além disso, há poesias dedicadas à Ofélia, várias fotografias das cartas, de presentes que Fernando deu à namorada e também deles mesmos e de Madge Anderson. Aliás, ao fim do livro, é possível ler algumas cartas trocadas entre Madge e o escritor lusitano e trechos maiores de algumas cartas dedicadas a Fernando por Ofélia.
Quando adquiri a obra, inclusive, pensava que a edição continha as cartas de Ofélia na íntegra, mas não é o que ocorre. Admito que fiquei bastante curiosa quanto a isso!
Estas cousas fazem sofrer, mas o sofrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão de passar o amor e a dor, e todas as mais cousas, que não são mais que partes da vida? [Trecho da carta que Fernando escreveu a Ofélia após esta ter escrito uma carta de término]
De qualquer modo, foi uma leitura interessante, e, para quem admira o autor - assim como eu - certamente irá gostar e achar curioso que encontramos em "Cartas de Amor".
Tudo o que sinto se concentra
Em te sentir
A boca, o amor, o beijo que entra
E sai a rir.
Tudo o que quero se define
Em sentir puro
Teu lábio contra os meus
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| Poema que achei muito fofinho, escrito em homenagem a Ofélia |


















