Resenha: "Entregas Expressas da Kiki"
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| ENTREGAS EXPRESSAS DA KIKI Autora: Eiko Kadono Ilustrações: Daniel Kondo Número de páginas: 240 Editora: Estação Liberdade Nota: 4,5/5 ⭐ |
Oi, pessoal! semana passada eu concluí a leitura de "Entregas Expressas da Kiki", livro que inspirou o filme de Hayao Miyazaki ,"Serviços de Entregas da Kiki", o primeiro que vi do Studio Ghibli. Uma leitura bem fofa e aconchegante, que aquece nosso coração com tamanha delicadeza.
Assim, acompanhamos a bruxinha de 13 anos Kiki, que parte para uma nova cidade em busca de sua independência. Trata-se de uma tradição das bruxas, que, ao completarem essa idade, despedem-se de seus pais e precisam passar 1 ano em uma nova cidade, a fim de se descobrirem, se conectarem com a própria magia (no caso de Kiki, sua grande habilidade é voar) e alcançarem, portanto, a independência, conectando-se às pessoas daquele novo lugar. Entretanto, a viagem não é solitária: as bruxas são acompanhadas por seus gatinhos pretos, que só elas podem escutar e entender. No caso de Kiki, esse gatinho é Jiji, de personalidade sarcástica e companheira.
Quando Kiki chega na cidade escolhida por ela, Koriko, pois era maior que sua cidade natal e ficava à beira mar, a bruxinha precisa se adaptar a um novo ambiente e a novas pessoas. Ela, então, em seu primeiro dia, conhece Osono, dona de uma padaria local, que oferece a ela o armazém do estabelecimento para que Kiki pudesse se estabelecer na cidade. É quando uma cliente esquece a chupeta de seu filho na padaria que Kiki tem o primeiro esboço do serviço que dá nome ao livro e ao filme, precisando devolver rapidamente o item ao bebê. Em seguida, ela tem a ideia para seu serviço de entregas, uma forma de explorar e desenvolver a habilidade de voar e de se adaptar mais facilmente a Koriko, auxiliando os moradores do lugar. Em troca, os moradores dariam o que podiam, como um serviço de trocas.
Após isso, cada capítulo é como se fosse uma crônica de um serviço de entregas que precisou realizar, que sempre geram adoráveis aventuras.
Em relação ao filme, o livro possui nítidas semelhanças, claro, mas são diferentes. Algo que gostei bastante na obra literária é a presença maior dos pais de Kiki e um maior desenvolvimento da relação entre família, pois, no longa-metragem, a impressão que tenho é que isso ficou meio de lado. Aliás, Kiki sempre toma sua mãe como ponto de referência em sua vida, seja como bruxa ou não, o que é bem fofo. Além disso, ambas as mídias abordam os temas de amadurecimento e inseguranças no processo em torno de Kiki, mas, também, de modo diferente. Na obra de Hayao Miyazaki, por exemplo, Kiki chega até a perder a habilidade de voar e de entender o que Jiji fala, como fruto de suas incertezas e de seu amadurecimento, mas isso não ocorre no livro. Durante a leitura, por sua vez, Kiki enfrenta uma série de questionamentos sobre estar fazendo um bom trabalho, chegando também a se comparar com outras garotas da sua idade. Ademais, a maior parte dos serviços realizados também divergem.
Depois dessas considerações, vale dizer que eu não considero uma obra melhor do que a outra: ambas se complementam! Desse modo, vale dar uma olhada tanto no filme, como no livro. Ah, e na época em que assisti ao longa pela primeira vez, fiz uma breve postagem aqui no blog, que você pode conferir clicando aqui! :)
Outra coisa que gostaria de destacar é essa edição BELÍSSIMA da editora Estação Liberdade. O livro é ricamente ilustrado pelo brasileiro Daniel Kondo, com desenhos que ajudam a contar a história e que embelezam a narrativa. Ele também conta com páginas grossinhas, letras na cor azul e um marcador de páginas personalizado, tornando a experiência de leitura ainda mais rica. Muito lindo mesmo. Espero que a Estação Liberdade publique, em breve, os outros livros que narram as aventuras da bruxinha, visto que se trata de uma série de seis obras e, no momento, só a primeira se encontra em circulação.
Dessa maneira, considero "Entregas Expressas da Kiki" um excelente livro para crianças, especialmente jovens meninas. Somos apresentados a uma protagonista que enfrenta questões típicas da pré-adolescência, notadamente os desafios de crescer, as descobertas do mundo, os laços que fazemos com as pessoas ao nosso redor, as inseguranças, a autoconfiança em desenvolvimento, etc etc. Kiki é destemida e ousada, mas também tem suas questões. Isso é realista e sincero, e creio que torna o livro ainda melhor, uma vez que não apesenta uma protagonista perfeita e infalível, mas alguém que, em meio a suas imperfeições, sempre tenta se tornar alguém melhor. Está muito recomendado!
























