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A BOLSA AMARELA Autora: Lygia Bojunga Editora: Casa Lygia Bojunga Número de páginas: 140 Nota: 4,3/5 ⭐ |
Oi, pessoal! Ontem terminei de ler "A Bolsa Amarela", clássico da literatura infantojuvenil brasileira, publicado originalmente em 1976 e relevante até os dias atuais. Li em menos de 24 horas, justamente por ser um livro bem curtinho, fácil de ler, leve e agradável. Lembrou-me da minha própria infância - não tão distante assim - e de como eu agia, pensava e me sentia naquela época. Também me fez recordar sobre as leituras que fazia em tais dias (sempre gostei de ler, e orgulhosamente me denominava "tracinha literária" hahaha), como as obras de Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Monteiro Lobato, entre outros...
Assim, "A Bolsa Amarela" é uma obra que dialoga bastante com a criança que somos e fomos, estando altamente recomendado para pessoas de todas as idades!
O livro acompanha Raquel, uma menina que possui três grandes vontades: ser gente grande, pois é constantemente silenciada pelos adultos a sua volta, ser garoto, porque acredita que assim teria mais liberdade, e tornar-se escritora, dando vazão à sua imaginação e expressando seus pensamentos e sentimentos.
Após receber uma enorme bolsa amarela, ela decide esconder suas vontades no local (porém, quanto mais a garota as reprime, mais elas crescem e pesam na bolsa). Além de suas vontades, ela também esconde os galos Afonso (fruto de uma das histórias que escreveu) e Terrível, um galo de briga, a Guarda-Chuva (sim, com artigo feminino!), um alfinete de fralda e uma série de nomes que gosta. Em meio à sua imaginação fértil, Raquel precisa lidar consigo mesma e com suas questões, além de enfrentar inúmeros desafios para ajudar seus amigos secretos.
- Porque eu acho muito melhor ser homem do que mulher.
Ele me olhou bem sério. De repente riu:
- No duro?
- É, sim. Vocês podem um monte de coisas que a gente não pode. Olha: lá na escola, quando a gente tem que escolher um chefe pras brincadeiras, ele é sempre um garoto. Que nem chefe de família: é sempre o homem também. Se eu quero jogar uma pelada, que é o tipo do jogo que eu gosto, todo mundo faz pouco de mim e diz que é coisa pra homem; se eu quero soltar pipa, dizem logo a mesma coisa. É só a gente bobear que fica burra: todo mundo tá sempre dizendo que vocês é que têm que meter as caras no estudo, que vocês é que vão ser chefe de família, que vocês é que vão ter responsabilidade, que - puxa vida! - vocês é que vão ter tudo. Até pra resolver casamento - então eu não vejo? - a gente fica esperando vocês decidirem. A gente tá sempre esperando vocês resolverem as coisas pra gente. Você quer saber de uma coisa? Eu acho fogo ter nascido menina.
A obra aborda temáticas como a autodescoberta e o uso da imaginação, através da protagonista e dos outros personagens. O galo Afonso, por exemplo, fugiu de seu galinheiro pois seus donos diziam que ele deveria tomar conta das galinhas e tomar decisões por elas, pois essa era a tradição entre os galos da família: "Mas eu não era que nem meu avô, meu bisavô, meu tataravô, o que é que eu podia fazer? Eu sei que ia ser muito mais fácil eu continuar pensando igualzinho a eles. Mas eu não pensava, e daí?", sonhando em encontrar um ideal e lutar por ele. Então, é de fato bastante interessante como Lygia Bojunga aborda temas cotidianos e humanos de forma lúdica e simples, refletindo sobre o mundo ao nosso redor - e o interior também.
Às vezes a gente quer muito uma coisa e então acha que vai querer a vida toda. Mas aí o tempo passa. E o tempo é o tipo de coisa que adora mudar tudo. Um dia ele muda você e pronto: você enjoa de ser pequena e vai querer crescer.
Foi uma leitura bastante agradável, divertida e adorável! Já quero ler outras obras de Lygia Bojunga! Esta aqui, como dito anteriormente, está bastante recomendada. Um livro para aqueles que são ou foram crianças um dia, ou seja: todos nós...
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