quarta-feira, 6 de maio de 2026

"Monster" é um dos melhores animes que já assisti

maio 06, 2026 0 Comments

MONSTER
Elenco Principal:
 Hidenobu Kiuchi, Nozomu Sasaki, Mamiko Noto, Tsutomu Isobe, Mami Koyama
Ano: 2004
Número de episódios: 74
Nota: 5/5 ⭐
Onde assistir: Netflix
 

Ontem terminei de assistir a "Monster", anime de suspense lançado em 2004 e bastante consagrado, baseado na obra de Naoki Urasawa. É realmente uma história muito interessante, que intriga o telespectador a cada episódio assistido em razão de sua trama complexa e de seus personagens bem desenvolvidos. Cheio de reviravoltas, com uma ambientação soturna e com um enredo intrigante e viciante, "Monster" se tornou um dos melhores  animes que já assisti e, por isso, quis falar um pouco sobre ele aqui no Sementes Literárias. 


Nesse sentido, o enredo acompanha o médico japonês Kenzo Temna, um neurocirurgião de sucesso e com um futuro bastante promissor, residente na Alemanha Ocidental. Entretanto, em 1986, sua vida vira de cabeça para baixo quando gêmeos chegam ao hospital: uma menina em completo estado de choque e um garotinho com uma bala na cabeça. Tenma, por razões éticas, decide salvar a vida do garotinho em vez da vida do prefeito, que só havia chegado ao hospital depois do garoto, descumprindo ordens de seu diretor. Após esse fato, Tenma vira persona non grata no seu ambiente de trabalho, perdendo seu cargo e sendo moralmente perseguido por seu chefe, além de a filha do diretor do hospital ter terminado seu noivado com ele. Entretanto, quando o diretor e mais alguns médicos aparecem mortos misteriosamente, as suspeitas recaem logo sobre Tenma e um detetive o põe em sua mira. O tempo passa, e Tenma recupera seu cargo e é promovido dentro do hospital, retomando sua vida normalmente. Mas, 9 anos depois do dia em que os gêmeos chegaram ao hospital, um paciente salvo por Tenma é assassinado na sua frente pelo mesmo garoto que um dia ele salvou, Johan. Ele foi o verdadeiro responsável pelas mortes ocorridas anos antes, e por inúmeros outros assassinatos que aconteceram desde então. Com isso, Tenma está decidido a tirar a vida de Johan e acabar com as tragédias causadas por ele, enquanto o próprio médico é perseguido pela polícia e tido como principal suspeito dos casos. Todavia, tal decisão acende nele um conflito moral que permeia toda a narrativa: ele possui, realmente, o direito de tirar a vida de alguém, por mais monstruosa que essa pessoa seja? E ainda há um agravante: sua missão, como médico, é proteger a vida, então ele estaria mesmo disposto a contrariar sua crença inabalável e o juramento ético que ele fez?


"Você pode começar de novo. Não é tarde demais"

Assim, ao longo de 74 episódios, somos apresentados a diversos personagens complexos, - pois "Monster" não foca apenas em seu protagonista - enquanto o anime levanta uma série de questionamentos acerca de senso de moralidade e de eticidade, o valor da vida, a construção de nossa identidade, entre outras questões. É interessante, também, o contraste entre Tenma e Johan, assim como entre Johan e sua irmã, Nina. Tenma escolhe a gentileza, acredita no lado bom da humanidade e tem uma ética realmente admirável. Acredito que todo médico deveria se inspirar nele, pois ele cumpre seu propósito com uma perseverança e com uma determinação encantadoras. Por outro lado, para Johan, nada tem valor (nem ele mesmo), brincando com o destino e com as vidas das pessoas como se de nada valessem. A vida não possui sentido, nem propósito, então Johan não se preocupa em destruir o que bem entender, em apagar o que lhe convém. Nina, por sua vez, adota uma postura semelhante à de Tenma, mesmo que tivesse um passado semelhante ao de Johan. 


"A única coisa na qual os humanos são iguais é a morte"


Além dos fatos que mencionei, muita coisa aconteceu, mas irei me abster de comentá-las para não dar spoilers, pois é o tipo de série com muitas reviravoltas e revelações, e perdi as contas de quantas vezes me peguei boquiaberta assistindo. Recomendo muito para aqueles que buscam uma série intrigante e muito bem escrita para assistir, para aqueles que gostam de suspense e de uma produção com um rico pano de fundo histórico!

Por fim, eis a abertura do anime, que eu acho muito massa:



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Resenha: "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector

abril 29, 2026 0 Comments
A HORA DA ESTRELA
Autora:
 Clarice Lispector 
Número de páginas: 88 (incluindo posfácio sobre a autora e sobre a obra)
Editora: Rocco
Nota: 4/5⭐️

 

Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?

 

Oi, pessoal! Quanto tempo não apareço por aqui, não é? Mas voltei, trazendo a resenha de "A Hora da Estrela", primeiro livro que leio de Clarice Lispector! Assisti ao filme em dezembro do ano passado, então já sabia de algumas coisas do enredo, e creio que tenha sido uma boa adaptação.  


Nesse sentido, a história é narrada por Rodrigo S.M, que certa vez viu, nas ruas do Rio de Janeiro, de relance, "o sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina", e, a partir disso, desenvolve a sua história, dizendo que ela é "verdadeira, embora inventada". 


Assim nasce Macabéa, uma jovem de 19 anos, datilógrafa, oriunda do sertão de Alagoas e que fora ao Rio de Janeiro para "tentar a vida". Morava em um quarto compartilhado com outras quatro moças, e tinha a vida extremamente simples. Era uma menina ingênua e passiva, vista como insignificante aos olhos da sociedade e até pelos seus próprios olhos. Não levava jeito para a datilografia, era raquítica de corpo, não tinha grandes ambições na vida, teve uma infância difícil sendo maltratada pela tia que a criou, foi trocada por seu namorado, Olímpico, pela sua "amiga" de trabalho, e aceitava passivamente a própria condição. Talvez por não saber que era uma vida difícil. Talvez por não acreditar que merecesse algo melhor. Talvez porque acreditasse que, se a vida lhe impôs tal condição, devesse ser assim. E imersa em sua ingenuidade, ia levando os dias, acompanhando o que passava na Rádio Relógio, fazendo coleção de anúncios de jornal, tomando um gole frio de café antes de adormecer, entre outras pequenas singelezas que a consolavam e que a faziam crer que levava uma vida feliz. 


Mas Macabéa não se preocupava com próprio futuro: ter futuro era luxo. Ouvira na Rádio Relógio que havia sete bilhões de pessoas no mundo. Ela se sentia perdida. Mas com a tendência que tinha para ser feliz logo se consolou: havia sete bilhões de pessoas para ajudá-la. 




A escrita de Clarice é permeada por vários momentos de reflexão existencialista, notoriamente de interrupções narrativas e reflexivas feitas pelo autor de Macabéa. Em diversos momentos, Rodrigo S.M pondera a respeito de si mesmo e a respeito de sua protagonista e sobre os outros personagens (que são poucos), fazendo reflexões que impactam aquele que o lê. 


[...]  É que desde menino não passava de um coração solitário pulsando com dificuldade no espaço. [sobre Olímpico]


Aliás, não senti dificuldade com a linguagem, e gostei do ar introspectivo que rodeia as páginas da obra, que soa como prosa poética. Clarice escreve bonito. Um exemplo foi quando a personagem pede uma aspirina para sua colega de trabalho, Glória, e a colega lhe pergunta por que ela sempre pede tanta aspirina. A protagonista, então, lhe responde: "É  para eu não me doer", e, ao ser solicitada explicações, diz "Eu me doo o tempo inteiro". Um jogo de palavras entre dor e doar-se, muito bem feito e bem colocado, visto que a personagem, em sua ingenuidade, doava-se àqueles por quem nutria afeto, como o caso de Olímpico, que a trocou por Glória. Portanto, repito: Clarice escreve bonito, e eu gosto de quem escreve bonito. Em certos momentos da narrativa, inclusive, o estilo de escrita de Clarice me lembrou do de Hermann Hesse, embora com óbvias particularidades, é claro. 


[...] Vivemos exclusivamente no presente pois sempre e eternamente é o dia de hoje e o de amanhã será um hoje, e a eternidade é o estado das coisas neste momento. 


Portanto, "A Hora da Estrela" está recomendado para aqueles que desejam iniciar no universo de Lispector e que buscam uma narrativa reflexiva acerca da nossa própria existência e da realidade social do Brasil. Afinal, como bem pontua Rodrigo S.M no início da obra, "Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhado até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?"


"A vida é um soco no estômago". 



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sobre o álbum "For Lovers", da banda Lamp

fevereiro 19, 2026 0 Comments
FOR LOVERS
Banda:
 Lamp
Data de lançamento: 11 de fevereiro de 2004
Duração: 33 minutos

Oi, pessoal! Esta é a primeira postagem do ano hahaha Fim de período deixa o tempo bem escasso, mas, assim que minhas férias chegarem, me dedicarei mais aqui no blog :) Enfim!

A última vez que tinha falado sobre um álbum aqui no Sementes Literárias havia sido em 2022, em ocasião do lançamento do "The Car", sétimo álbum do Arctic Monkeys. No entanto, há muitos outros álbuns que gosto de escutar, de outros artistas. Então, uns dois meses atrás, descobri um ábum muito bom que escuto com frequência até hoje: "For Lovers", da banda japonesa independente Lamp. Lançado em 2004, contendo apenas 8 músicas e somando um total de 33 minutos, o álbum é bem rapidinho de se escutar e passa uma sensação bastante aconchegante. É como se fosse, simultaneamente, um dia levemente chuvoso e um dia levemente ensolarado, como se fosse uma brisa marítima no fim da tarde. 


É difícil definir o estilo das músicas. São calmas, sutis, e bebem da fonte de jazz e de bossa-nova. Gosto bastante! As letras também são adoráveis, e gosto da forma como o ambiente e as sensações são descritas nas canções. Talvez já tenha mencionado isso aqui no blog, mas gosto muito de letras que contam uma história, descrevem um pequeno-grande momento, têm ares de poesia, capturam a beleza de um breve instante. Para minha felicidade, as músicas de Lamp são exatamente assim! E o título do álbum, "For Lovers" ("Para Amantes", em português) diz muito sobre o que será encontrado ali. O amor é descrito de forma singela e suave, seja na descrição de suas possibilidades, de um momento eternamente gravado na memória, de um sentimento que cresce a cada dia, de um amor que terminou, de um amor que floresceu. Obviamente não falo japonês (quem me dera hahaha), mas fui atrás das traduções. Você consegue encontrar no site do Genius, clicando aqui no link: https://genius.com/albums/Lamp/For-lovers


Uma carta de amor escrita em um suspiro, em uma janela enevoada

Pouco a pouco, pouco a pouco, eu me apaixono por você

Fecho meus olhos para o cheiro da meia-noite e para o suave som da chuva (Rainy Tapestry)


Minhas canções favoritas são "For Lovers", que me introduziu ao álbum (e que me fez escutar outras canções da banda, que já tinha ouvido falar. Também já conhecia uma música deles, mas que não ligava muito), "Behind The Moon Shadow" e "HIGARU-NAMIDA" - não necessariamente em ordem hahaha! Mas gosto de todas, e esse meu pódio poderá mudar em breve. 


De mãos dadas e olhando para as estrelas, somos só eu e você em um voo noturno (Last Train At 25 O' Clock)


Desse modo, "For Lovers" é uma ótima pedida para quem busca um álbum leve e introspectivo, que soe como um abraço quentinho, com um som bonito e com letras igualmente belas e poéticas. Se gostarem e quiserem, confiram também as músicas de outros álbuns, pois a banda é realmente muito boa! Uma das minhas recentes obsessões musicais hahaha! :) 

Dito isso, irei colocar aqui embaixo o cardzinho do Spotify, contendo todas as canções (inclusive aquelas que não mencionei aqui) ❤