sábado, 6 de setembro de 2025

Tatami Galaxy e a busca por uma vida cor-de-rosa

setembro 06, 2025 0 Comments

TATAMI GALAXY
DIREÇÃO:
 Masaaki Yuasa, Akitoshi Yokoyama, Ryotaro Makihara, Tomoya Takahashi, Shingo Natsume, Michio Mihara, Junichi Fujise, Eunyoung Choi
ELENCO PRINCIPAL: Shintaro Asanuma, Hiroyuki Yoshino, Keiji Fujiwara, Yuhko Kaida, Maaya Sakamoto, Junichi Suwabe
ANO: 2010
NOTA: 4,3/ 5 ⭐


Oi, pessoal! Essa semana assisti, pelo YouTube, a um anime chamado "Tatami Galaxy", baseado em um livro japonês de mesmo título, e lançado em 2010. Possui somente 11 episódios bem curtinhos, o que permite que seja assistido rapidamente. Há também um filme que se passa no mesmo universo, "Night Is Short, Walk On Girl", de 2017, e uma outra série que funciona como continuação do anime, "The Tatami Time Machine Blues", de 2022, mas ainda não vi nenhum dos dois e irei, portanto, me concentrar somente em "Tatami Galaxy"! 


O anime acompanha Watashi ("Eu", em português), um rapaz em uma busca incessante pelo que ele chama de "vida universitária cor-de-rosa", ou seja: uma vida universitária perfeita, completamente bem aproveitada, sem arrependimentos e sem desperdícios de tempo. Na tentativa de alcançá-la, Watashi volta no tempo a cada episódio, recomeçando como calouro, e se junta a um clube social diferente esperando que a sua felicidade esteja em uma das possibilidades que não foram previamente exploradas. Entretanto, ele sempre se decepciona e se frustra com a realidade, voltando no tempo mais uma vez e explorando outro clube social. 


Sempre sonhando com o irreal, eu nunca olhava para o que estava em minha volta.


E, nesse sentido, acredito que "Tatami Galaxy" seja extremamente relacionável. Afinal, quem nunca imaginou que a vida estaria melhor se outros rumos tivessem sido tomados, se outras escolhas tivessem sido feitas, se as coisas tivessem sido diferentes? No anime, isso se torna real, porque Watashi tem a oportunidade de explorar de forma concreta todos os seus "E se?", mas descobre em sua jornada que, ainda assim, não existe uma realidade perfeita, não existe uma "vida universitária cor-de-rosa", precisando aprender a aceitar isso e a aceitar quem ele é. Aliás, creio que "Tatami Galaxy" seja ainda mais relacionável para quem está no começo da faculdade (como eu!), porque é justamente nesse ponto da vida em que o protagonista se encontra, sempre buscando algo que acredita ser perfeito nesse contexto em que ele está e tendo a impressão de que desperdiçou seus anos universitários. 




Além disso, eu amei os visuais do anime! O uso das cores, os ângulos usados, a atmosfera psicodélica. Na realidade, tudo sobre ele é único e diferente de absolutamente todas as coisas que eu tinha visto até então, e é tão satisfatório se deparar com uma obra fora da caixinha, original e criativa. Uma das características dele são os diálogos rápidos, que faz com que muitas pessoas o abandonem por terem dificuldade de acompanhar as legendas, mas isso só me impactou mais no primeiro episódio, pois depois eu me acostumei com o estilo da série. Ademais, é bastante interessante acompanhar as divagações de Watashi (que narra o anime) e sua corrente de pensamentos, pois ele é uma pessoa que pensa demais e pensa de forma muito veloz, então a rapidez dos diálogos é condizente com quem o protagonista é. Também é curioso como seu destino se liga a de alguns personagens, independentemente do rumo que escolha tomar, como Akashi e Ozu. Embora alguns episódios soem repetitivos, de uma forma geral isso não é incômodo, pois o anime tem uma qualidade muito boa e é curtinho! Por fim, ele encerra, através de seus três episódios finais, de uma forma instigante e inteligente, conectando os outros episódios e nos levando a refletir sobre a jornada de Watashi e sobre sua busca pela utópica "vida universitária cor-de-rosa", que, de certa forma, também é uma busca de todos nós. Desse modo, "Tatami Galaxy" pondera sobre temas como aceitação, a própria vida e suas possibilidades, entre outros tópicos, enquanto explora o psicológico de Watashi. Entretanto, é uma obra bem leve e agradável, e o final é esperançoso e bonito de se assistir!




Gosto muito quando termino de ver um filme ou uma série e a obra me deixa reflexiva e com um sentimento genuíno de ter visto algo bom e que valeu a pena. "Tatami Galaxy", por sua vez,  me proporcionou isso, por meio de sua história inteligente e de seus traços únicos, estando altamente recomendada!! :)


"Aquele ponto de sua expressão, que era como alguma cidade-fortaleza europeia, relaxou em um sorriso, e aquele sorriso deixou uma impressão que nunca saiu da minha mente"


sábado, 23 de agosto de 2025

Resenha: "O Veleiro de Cristal"

agosto 23, 2025 0 Comments

O VELEIRO DE CRISTAL
Autor:
 José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos
Número de páginas: 120
Nota: 4,5/5 ⭐

No seu pequeno mundo de poucos acontecimentos gostava de decorar as melhores coisas. Decorar na saudade para depois se lembrar devagarzinho e com ternura. 


Oi, pessoal! Ontem fui novamente ao Cantinho Sempre Viva, ótimo sebo daqui de Aracaju, e comprei três livros novos, todos em excelente estado de conservação! Um desses livros foi justamente "O Veleiro de Cristal", que chamou rapidamente a minha atenção por ser de José Mauro de Vasconcelos, mesmo autor de "O Meu Pé de Laranja Lima" (um de meus livros favoritos!) e de "Coração de Vidro". Inclusive, as resenhas de ambos podem ser encontradas aqui no Sementes Literárias, respectivamente: aqui e aqui! Dessa forma, "O Veleiro de Cristal" é a terceira obra que leio do autor, e, assim como as outras duas, me encantou pela simplicidade e beleza da narrativa. 


O livro, bem curtinho, possui apenas uma parte ("Monólogo da Solidão") e pode ser lido rapidamente, algo facilitado pela forma como José Mauro de Vasconcelos escreve: com simplicidade e lirismo. Assim, acompanhamos a história de Eduardo, um garoto de 12 anos que possui uma deficiência e que, por conta do preconceito das pessoas ao seu redor, precisa lidar com a rejeição - inclusive de seus pais - e com a exclusão. A única pessoa que verdadeiramente o enxerga como indivíduo, para além de sua deficiência, é a sua tia Anna. 



Edu, então, prestes a fazer uma cirurgia em seu coração, parte com Anna para uma casa (que é chamada por ele carinhosamente de "veleiro de cristal") no alto de uma serra e próxima ao mar, como uma forma de fazer com que o menino descanse e fortaleça a própria saúde. Lá, ele se conecta com as belezas do lugar e com alguns seres que residem no local, como um tigre de cobre, uma coruja empalhada e um sapinho, com os quais conversa em seus momentos de solitude. Através de sua imaginação, Edu lida com a própria realidade e com as dificuldades que enfrenta, buscando poesia no mundo que o cerca. 


- Você [o tigre] vai falar sempre? Ou só é agora?

- Toda vez que você encostar o seu ouvido no meu coração eu falarei.

- Você nunca tinha falado antes?

- Nunca ninguém encostou o ouvido no meu coração. 


Desse modo, "O Veleiro de Cristal" é uma história bastante sensível e bonita, que cativa graças à própria narrativa e à forma delicada como ela é contada. Aliás, quem gosta de "O Meu Pé de Laranja O Lima" provavelmente irá gostar deste aqui, pois a escrita singela e doce pode ser novamente encontrada e alguns temas também - como a imaginação usada pelas crianças para lidarem com uma realidade difícil, a ternura nas relações que construímos, etc. Recomendo bastante! 


sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Terminei de assistir a "Por Amor" e ficarei com saudades...

agosto 22, 2025 0 Comments



(Escrevi essa postagem no dia 07 de agosto e, no entanto, esqueci de publicar e ela estava nos rascunhos até hoje!) 


Oi, pessoal! No segundo boletim informativo do Sementes Literárias, informei que estava terminando de assistir a "Por Amor", terceira novela que vejo de Manoel Carlos! A primeira foi "Mulheres Apaixonadas", em 2023, pela qual era (e sou) completamente encantada e que foi uma verdadeira obsessão quando assisti (conviver comigo naquela época era conviver, paralelamente, com a novela). A segunda eu não assisti na íntegra, mas vi vários capítulos e trechos de outros: "História de Amor", no começo desse ano. E a terceira é "Por Amor", que terminei de ver hoje! Todas eu assisti com a minha mãe, que nutre um certo hiperfoco por Manoel Carlos e meio que passou isso pra mim hahaha 

Aliás, acredito que esta seja a primeira vez que falo sobre novela aqui no blog! Enfim!


A novela se inicia em Veneza, em uma viagem entre Helena (interpretada por Regina Duarte) e sua filha Maria Eduarda (interpretada por Gabriela Duarte, filha de Regina na vida real). Lá, Helena conhece o arquiteto Atílio (Antônio Fagundes), logo se apaixonam, e, quando retornam ao Rio de Janeiro, têm a oportunidade de desenvolverem esse relacionamento. Além disso, Eduarda casa-se com o chato do Marcelo (Fábio Assunção) assim que retorna de viagem. O principal conflito da novela ocorre quando Eduarda e Helena engravidam no mesmo período e, após darem à luz no mesmo dia e o filho de Eduarda falecer, Helena decide trocar os bebês por amor à filha, sustentando uma grande mentira e afetando a vida de inúmeros outros personagens. Assim, a ideia central do enredo é apresentar diversas formas de amor, especialmente o amor entre uma mãe e uma filha, mostrando até onde os personagens são capazes de ir guiados por esse sentimento.


Ademais, somos apresentados a outros personagens, como a cruelíssima-porém-cômica Branca (vilã bem conhecida de Susana Vieira), mãe de Marcelo, Léo (Murilo Benício) e Milena (Carolina Ferraz) esposa do empresário Arnaldo (Carlos Eduardo Dolabella), Laura (Viviane Pasmanter), ex-namorada de Marcelo completamente obcecada e louca (literalmente) por ele, Orestes (Paulo José), que precisa lidar com alcoolismo e que é pai de Eduarda e Sandrinha (Cecília Dassi), padrasto de Nando (Edu Moscovis) e marido da cabelereira Lídia (Regina Braga), Sirléia (Vera Holtz), vizinha e amiga de Helena, Virgínia (Ângela Vieira), irmã de Helena, Meg (Françoise Fortoun), uma nova-rica excêntrica, mas de bom coração, e tantos outros personagens! Obviamente, não daria para citar todos aqui. 


"Por Amor" apresenta uma série de tramas paralelas interessantes, como o já citado alcoolismo de Orestes, o namoro de Milena e de Nando, a vida pacata e simpática na vila em que Helena trabalha como decoradora de interiores, as vilanias terríveis de Branca, etc. É, assim como as outras novelas de Maneco, uma crônica do cotidiano, em que os personagens vivenciam dilemas reais e palpáveis. É claro que algumas tramas envelheceram como leite, especialmente tendo em vista que a novela foi gravada entre 1997 e 1998, como a trama de racismo envolvendo o preconceituoso do Wilson e sua esposa - uma mulher negra -Márcia (ambos são moradores da vila). A abordagem foi realmente péssima, mas não creio que isso anule a qualidade da novela, é somente uma ressalva a se fazer, afinal, os tempos eram outros. Outra trama que creio que teria sido diferente se houvesse sido feita hoje em dia envolve o destino de Marcelo e Eduarda. A propósito, na época da primeira exibição de "Por Amor", havia até um site chamado "Eu Odeio a Eduarda", mas como o passar dos anos as pessoas mudaram o próprio olhar sobre a personagem, que foi realmente injustiçada pelo público. A evolução dela é muito bonita de se acompanhar, e creio que foi um dos pontos altos do folhetim!


Além disso, a trilha sonora é maravilhosa e combina perfeitamente com o texto afiado de Manoel Carlos. Minhas favoritas são "More Than This", "Dindi" e "Paralelas", mas todas as canções são marcantes, especialmente "Per Amore", interpretada por Zizi Possi. 

Para exemplificar a beleza do texto de Maneco, gostaria de deixar registrada aqui uma cena que considero uma das mais bonitas de toda a novela!



Entre paixões, brigas, sofrimentos e alegrias, sentimos junto dos personagens e torcemos genuinamente por eles. Assim como "Mulheres Apaixonadas", esta aqui deixará saudades... ❤

Resenha: "Cartas para minha avó", de Djamila Ribeiro

agosto 22, 2025 0 Comments

 

CARTAS PARA A MINHA AVÓ
Autora:
Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 200
Nota: 4,8/5 ⭐️

Há uma enorme diferença entre acostumar-se e aceitar. Passei a aceitar sua ausência física e carregar sua força, e falo de você com lágrimas de alegria e gratidão pela oportunidade do encontro, mas nunca me acostumei com sua ausência. 


Olá, pessoal! Recentemente concluí a leitura do livro "Cartas para a minha avó", primeiro que leio da ativista e filósofa brasileira Djamila Ribeiro. Minha mãe pegou emprestado de uma amiga dela e, após terminar de lê-lo, disse que achava que eu iria gostar também (e foi o que de fato aconteceu!). A obra possui uma linguagem simples e bastante acessível, o que a torna bastante dinâmica e rápida de ser lida, uma vez que você nem sente o tempo passar. 


"Cartas para a minha avó", como o próprio nome indica, apresenta-se como uma série de correspondências de Djamila à sua falecida avó, Antônia. Através das cartas, então, Djamila rememora suas vivências e nos apresenta suas memórias, possibilitando que o leitor conheça mais sobre a autora: sua infância, sua adolescência, suas experiências como uma mulher negra, suas relações familiares, suas amizades, sua jornada acadêmica, sua espiritualidade... por isso, é a obra mais pessoal da autora, em que ela se revela e permite ao leitor descobrir um pouco de seu mundo. Aliás, gosto muito de ouvir (ou, nesse caso, ler) pessoas contando suas próprias histórias, porque sinto que sempre podemos aprender com a experiência do próximo e porque isso me retira - mesmo que por um breve instante - do universo particular no qual estou imersa e me permite enxergar outras realidades para além da minha. Me faz bem. Portanto, adentrar, mesmo que um pouquinho, no universo de Djamila, foi uma ótima experiência!


Restituir a humanidade também é assumir fragilidades e dores próprias da condição humana. Somos [mulheres negras] subalternizadas ou somos deusas. E pergunto: quando seremos humanas?





A autora possui uma forma de escrever que cativa, pois, ao mesmo tempo em que é simples e direta, é também poética e reflexiva. Muitas coisas que li me impactaram e me fizeram pensar sobre experiências que não vivencio, como o racismo com o qual Djamila precisou (e precisa) lidar durante toda a sua vida. É muito fácil não pensar sobre determinado sintoma social quando não somos afetados por ele, então as memórias narradas pela escritora permitem, de forma bastante acessível e real, que nos coloquemos em seu lugar e pensemos sobre questões que marcam o imaginário popular e que, no entanto, muitas vezes passam despercebidas por nós. Além do racismo, Djamila também fala bastante sobre os machismos que sofreu ao longo de sua trajetória, sobre sua relação com a maternidade, sobre o luto, entre tantos outros temas. Entretanto, ela não narra apenas sobre si mesma: ela analisa também aqueles que a cercam, comentando bastante sobre como a mentalidade enraizada com relação ao que é ser mulher e ao que é ser uma pessoa negra impactou aqueles ao seu redor (como sua mãe, seu pai, sua própria avó...). Desse modo, ao escrever tais cartas, Djamila se reconecta com sua própria identidade e passa a ter um olhar mais gentil com relação ao seu passado e às vivências que teve. 


Penso que amar é ser suave com a diferença do outro.


Assim, "Cartas para a minha avó" apresenta-se como uma leitura bastante interessante e agradável, que recomendo bastante para aqueles que buscam algo rápido, bonito e reflexivo!




segunda-feira, 28 de julho de 2025

Resenha: "O Louco, O Mensageiro e O Andarilho"

julho 28, 2025 0 Comments
O LOUCO, O MENSAGEIRO E O ANDARILHO
Autor:
 Khalil Gibran
Editora: Lafonte
Número de páginas: 160
Nota: 3,6/5 ⭐


Minha filha, nós somos os infinitamente pequenos e os infinitamente grandes e somos o caminho entre os dois.

 

Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de três obras, mas cuja edição lida por mim reúne as três em um só livro: "O Louco (suas parábolas e poemas), O Mensageiro e O Andarilho", de Khalil Gibran. Peguei emprestado de um amigo meu da faculdade e a experiência foi boa e agradável!


Por que disputar o que seremos / quando nem sabemos o que somos?


Os três livros trazem textos curtos (parábolas e poesias, mais especificamente) que levantam reflexões sobre a vida e as coisas que a cercam: sentimentos (como o amor, a alegria, a tristeza, entre outros), atitudes, questionamentos... Creio que seria um ótimo livro de cabeceira, desses que se lê aos pouquinhos antes de dormir, possíveis de serem lidos fora de ordem (embora eu não tenha feito isso) e através dos quais refletimos sobre as coisas que envolvem nossa existência. Além disso, embora contenha textos escritos há bastante tempo, estes seguem relevantes e pertinentes na atualidade. Das três obras, a que mais gostei foi "O Mensageiro"!




Entre meus textos favoritos, destacam-se "Derrota", que me fez lembrar da música "O Vencedor", dos Los Hermanos, "Críticos", que me fez pensar sobre a questão da revitimização (que é quando uma vítima, ao denunciar o que sofreu, torna-se vítima novamente - de julgamentos, por exemplo), "A útima vigília", em que o Mensgaeiro reflete sobre o amor e que foi um dos textos mais bonitos dos três livros, "O louco" (presente no livro "O Andarilho"), entre tantos outros! Foi uma leitura interessante e está recomendada! :)


Derrota, minha Derrota, minha solidão e meu distanciamento; 

Você é mais cara a mim do que mil triunfos,

E mais doce para o meu coração do que toda a glória do mundo.

 


sábado, 19 de julho de 2025

Resenha: "Vou te receitar um gato"

julho 19, 2025 0 Comments
VOU TE RECEITAR UM GATO
Autora:
 Syou Ishida
Editora: Intrínseca 
Número de páginas: 224
Nota: 3,5/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de uma leitura que fiz no mês de maio e terminei no comecinho de junho, mas não tinha escrito ainda: "Vou te receitar um gato", de Syou Ishida. Trata-se de um livro do gênero healing fiction, ou seja, ficção de cura, que vem fazendo certo sucesso de uns tempos pra cá. Para quem não sabe, o gênero busca retratar histórias aconchegantes e emocionais, que visam causar bem-estar a quem lê, sendo muito comum lá no Japão. 


A obra retrata cinco histórias de pessoas que buscaram ajuda na Clínica Kokoro, um espaço que fornece atendimento psiquiátrico e é mantido pelos excêntricos médico Nike e a enfermeira Chitose. O lugar é envolto por uma atmosfera de mistério e estranheza, localizado em um beco escuro e aparecendo somente para as pessoas que realmente precisam encontrá-lo. Lá, o doutor Nike receita gatinhos como método terapêutico em vez dos tradicionais remédios, surpreendendo os pacientes. É claro que, na vida real, gatos não curam problemas emocionais, mas certamente ajudam a lidar com eles. No universo criado por Syou Ishida, entretanto, eles são carregados de certa "magia" e transformam profundamente a vida e as questões emocionais dos pacientes da Clínica Kokoro. 


Nem sempre o tempo e a intensidade do amor são proporcionais. Há companheiros que se tornam essenciais na nossa vida, sejam eles humanos ou gatos. Podemos passar um dia ou um ano com eles. Podemos nunca mais vê-los de novo. Ainda assim, eles sempre serão importantes para nós.


Assim, podemos acompanhar a história um homem bastante insatisfeito com seu trabalho, um ambiente que o desgasta diariamente, a de um homem ranzinza que aprende a ser mais gentil com as pessoas, a de uma mãe bastante dura com sua filha que se reconecta com ela, a de uma empresária extremamente perfeccionista e controladora que precisa aprender a encarar as coisas com mais leveza e, por fim, a de uma gueixa cuja gatinha havia fugido e que precisava lidar com o luto por tê-la perdido. Através das brincadeiras, das bagunças, do afeto e das situações proporcionados pelos gatos, os protagonistas descobrem mais sobre si mesmos e ressignificam a própria forma de encarar a vida. Além disso, à medida que conhecemos mais sobre os personagens, mergulhamos na história da própria Clínica Kokoro e vamos "desvendando-a" com o passar das páginas. 



Apesar de não ter sido uma leitura memorável ou algo do tipo, foi uma boa pedida para passar o tempo. É um livro curtinho, agradável e leve, e creio que seria um ótimo presente para quem ama gatos (eu estou inclusa nesse pacote)!


domingo, 13 de julho de 2025

Resenha: "Verônica e os pinguins"

julho 13, 2025 0 Comments
VERÔNICA E OS PINGUINS
Autora:
 Hazel Prior
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 352
Nota: 3,8/5 ⭐


Oi, pessoal! Ontem concluí a leitura de "Verônica e os pinguins", livro que peguei emprestado da Biblioteca Central da UFS, minha universidade. Estava buscando algo levinho e descontraído, e no processo, quando vi a lombada de "Verônica e os Pinguins", reconheci que se tratava de uma edição da TAG. Para quem não sabe, - e comentei anos atrás sobre o tema no blog - a TAG é um clube de assinaturas literário, em que cada mês você recebe um livro surpresa em sua casa junto de alguns mimos. Eu nunca assinei, mas acho bem interessante. Quando vi que a UFS tinha umas edições da TAG (pois os assinantes recebem edições exclusivas dos livros) fiquei curiosa e dei uma olhada. Foi assim que cheguei até "Verônica e os Pinguins", obra que desconhecia completamente e que decidi ler porque gostei da sinopse (simples assim!).


O livro acompanha Verônica McCreedy, uma senhora com 85 anos de idade, milionária, solitária e muito ranzinza.  Ao refletir sobre a própria vida e a proximidade de sua morte, Verônica decide avaliar o destino de sua fortuna após o seu falecimento, pois não queria deixar tudo para o governo. Assim, procura saber se possui algum descendente vivo, uma vez que seu filho foi adotado por outra família e era falecido há anos, descobrindo a existência de Patrick, seu neto. Em meio à tal descoberta, a protagonista também passa a assistir um programa de televisão que acompanha um grupo de cientistas estudando pinguins na Antártica. Apaixonada pelos animaizinhos, preocupada com o risco de extinção que sofrem e após um encontro mal-sucedido com Patrick, Verônica pensa que seria bom deixar seus milhões de dinheiro nas mãos do projeto que estuda os pinguins. Antes de tomar sua decisão definitiva, porém, a senhora vai até a Antártica para verificar se vale a pena deixar sua herança com os cientistas, mesmo com as contraindicações de todos - as quais, vale destacar, ela não dá a mínima. Envolta por três cientistas, um monte de pinguins fofos, um neto recém-descoberto e um passado difícil e doloroso com o qual precisará lidar, Verônica vai, enfim, se permitir criar vínculos com as pessoas e aprender a recomeçar.


A vida pode ser generosa. Pode curar o coração e sussurrar que é sempre possível recomeçar, que nunca é tarde demais para fazer a diferença. Pode mostrar que há muitas, muitas coisas pelas quais vale a pena viver. E uma dessas coisas, uma das coisas mais alegres e inesperadas de todas, são os pinguins. 



É uma obra interessante, com uma história um tanto água com açúcar (o que, é claro, não é nenhum demérito!), que, embora não surpreenda e seja um tanto superficial em certos aspectos (mas falarei mais sobre isso adiante), me entreteve, me arrancou risadas sinceras e me fez torcer pelo destino dos personagens, especialmente pelo de Verônica. Li e assisti algumas resenhas aqui na internet e um comentário comum foi que acharam o começo do livro enfadonho, maçante, pois foca em retratar a rotina de Verônica. Eu, entretanto, não me incomodei com esse início, pois considerei interessante como a autora abordou o cotidiano de uma pessoa idosa e seus dilemas. Além disso, a leitura é permeada por comentários sarcásticos de Verônica, que, embora seja uma senhorinha ranzinza, teimosa e, admito, um pouco irritante, me divertiram e me fizeram rir genuinamente. É legal poder testemunhar como a viagem para a Antártica derrete seu coração de gelo (desculpe-me pelo trocadilho brega, foi mais forte do que eu) e faz a protagonista colocar a própria vida em perspectiva e recomeçar, mesmo no alto de seus oitenta anos e após uma série de tristes acontecimentos que moldaram profundamente seu modo de ser. Dessa forma, "Verônica e os Pinguins" é um livro com gostinho de esperança!


[...] A senhora não acha que, conforme os anos passam, a pessoa se torna menos obcecada consigo mesma e se preocupa mais com os outros? À medida que a gente envelhece, é como se a capacidade para o amor crescesse.


Como mencionei, considerei a obra superficial em determinados aspectos. Com exceção de Verônica, sinto que os outros personagens da história foram pouco desenvolvidos, inclusive seu neto Patrick, que narra diversos capítulos da obra e que, apesar disso, creio que tenha recebido um desenvolvimento mediano. Ademais, considerei o final da obra corrido: os fatos ocorrem rápido demais e os problemas desaparecem com a mesma velocidade com que surgem. Acredito, portanto, que o final poderia ter recebido um desenvolvimento melhor, com mais detalhes sobre o que ocorria. Um específico romance (não irei nomear entre quais personagens, para não dar spoilers), que acontece no final da obra, por exemplo, floresce do nada como se fosse o maior amor do mundo e isso me deixou um tanto incomodada, pois parece tudo muito conveniente e pouco convincente. De qualquer modo, apesar  desses pesares, creio ter sido uma boa leitura. 


"Verônica e os Pinguins" é um livro agradável, divertido e sensível. Uma boa pedida para quem busca algo leve, um tanto clichê e que seja encantador! No fim das contas, olha só, sentirei falta dos pinguins!