quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

"La La Land": sonhos, música e a infinitude de amores finitos

janeiro 12, 2023 0 Comments
LA LA LAND
Elenco principal:
 Emma Stone, Ryan Gosling, Jonh Legend
Diretor: Damien Chazelle
Classificação indicativa: Livre
Ano: 2016
Onde assistir: HBO Max, Star+, Globoplay, Paramount+
Nota: 4,8/5⭐


Oi, pessoal! Hoje irei falar sobre "La La Land", famoso romance musical que fez a limpa no Oscar de 2017. Adianto desde já que este texto conterá spoilers, porque o foco dele é falar sobre a minha visão do longa-metragem.

Conheço o filme desde a época do Oscar, e inclusive já havia tentado assisti-lo outras duas vezes. Tentei assisti-lo nas outras vezes por causa da música "City Os Stars", uma das mais marcantes e a mais famosa do longa, pela qual era completamente obcecada em 2018. No entanto, apesar de amar a canção e volta e meia eu ainda escutá-la, não terminei de assistir ao filme nenhuma das duas vezes em que tentei assisti-lo. Na primeira, larguei antes da metade. Na segunda, até tinha passado um pouco do meio, mas larguei do mesmo jeito e pelo mesmo motivo: estava achando chato. Isso foi por volta de 2018/2019. Passaram-se anos desde então, e, embora no começo minha opinião sobre "La La Land" fosse: "Eu achei o filme tão ruim que não consegui terminar de vê-lo nenhuma vez", com o passar do tempo esta opinião foi se transformando em um: "Ok, eu não gostei das outras vezes, mas um dia darei mais uma chance e irei até o fim para ter uma opinião concreta". Pois bem. Segunda-feira (hoje é quinta) eu fui até o final. E, sinceramente? Eu não me arrependo. Valeu a pena dar essa nova chance à "La La Land" e ter esperado um bom tempo para tentar assisti-lo novamente, até porque a percepção que temos sobre as coisas mudam e, mesmo que eu tivesse ido até o final das outras vezes, talvez eu nem tivesse gostado. É uma questão de compreensão e perspectiva. Ir até o final, no entanto, foi crucial para que eu gostasse do longa, mas falarei mais sobre isso adiante. Enfim. Talvez seja um filme superestimado, como muita gente diz, mas isso sinceramente pouco me importa. Eu gostei, ele me cativou e me emocionou, e é por isso que senti necessidade de escrever sobre ele aqui. 


Já estava pensando em assisti-lo inteiro há um tempinho, mas o pontapé mesmo foi uma cena lá do final do filme, que apareceu pra mim no Instagram e eu nunca tinha chegado a assistir. Achei interessante e percebi que era a hora de eu dar outra chance à "La La Land". Outros fatores que influenciaram foram as músicas, obviamente, e a fotografia. Eu não ligava para esse último aspecto antigamente, mas agora é algo no qual eu gosto de prestar atenção. Aliás, a fotografia aqui é belíssima, e, em alguns momentos, eu diria inclusive poética.



Antes de começar a falar mais sobre a minha opinião de fato, agora que eu já vi ao filme inteirinho, vou escrever uma breve sinopse. "La La Land" acompanha os protagonistas Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) enquanto correm atrás de seus sonhos em plena Los Angeles. Ela trabalha como atendente em uma cafeteria e deseja ser atriz, sempre realizando testes de elenco. O problema é que ninguém nunca realmente enxerga seu potencial e ela não é aceita em papéis. Já Sebastian é pianista e tem o sonho de abrir um clube de jazz bem-sucedido na cidade. Para se sustentar, no entanto, ele precisa tocar em locais que não o deixam se expressar criativamente, tocando o que mandam enquanto ninguém realmente se importa, o que faz com que ele se sinta frustrado. Ambos se conhecem quando Mia, ao voltar a pé de uma festa, passa por uma espécie de restaurante e escuta uma música sendo tocada no piano, o que chama a sua atenção (é a música tema dos dois). Ela decide entrar no lugar, encontrando Sebastian e sendo a única pessoa ali realmente prestando atenção ao que ele toca. Esse encontro, no entanto, não é bem-sucedido, pois Sebastian é demitido por não tocar as músicas que o chefe havia pedido. Irritado, ele passa direto por Mia e a ignora. Porém, os protagonistas se reencontram em uma festa, onde puderam recomeçar e se conhecerem melhor. A partir daí, o filme vai desenvolvendo o relacionamento de ambos, ao mesmo tempo em que eles perseguem os próprios sonhos e incentivam um ao outro. Aliás, o nome completo do longa em português é: "La La Land: Cantando Estações", porque a história de Mia e Sebastian é contada e dividida através das estações do ano. 


Dito isso, posso começar a falar melhor sobre o que penso de "La La Land", agora que o assisti de fato. O começo dele é realmente chatinho, não vou mentir. Eu pensei em largá-lo (sim, de novo!), mas desta vez eu estava determinada a ir até o fim. Alguns números musicais me deixaram um tanto impaciente, mas isso ocorreu mais na primeira metade. Além disso, é uma questão do gênero, que eu não costumo assistir, então busquei relevar. Afinal, as músicas são boas e a maior parte das cenas de dança são agradáveis de ver. Ainda bem que não é o tipo de musical que tem uma música e uma dança a cada 2 minutos e que é simplesmente insuportável de ver (senão eu creio que não teria conseguido resistir e relevar e largaria pela terceira vez). Alguns números musicais eu achei um pouco desnecessários, sim, mas nada que atrapalhe o rendimento da história. Como eu disse: dá pra relevar esses mais chatinhos. Há várias cenas que são bem legais, como a que Mia e Sebastian cantam e dançam juntos sobre os próprios sentimentos quando ainda estão se conhecendo e ela está usando um vestido amarelo. E, óbvio, não posso deixar de citar a própria "City Of Stars" e a música tema dos protagonistas, que aparecem diversas vezes ao longo do enredo para ajudar a construi-lo.




O filme foi me cativar de verdade na metade do verão (o filme começa pelo inverno). E é justamente quando vamos chegando ao final que o começo, que inicialmente eu considerei chato, passa a fazer mais sentido, porque agora nós temos a perspectiva do todo. É quando eu parei pra refletir sobre o que vi em tela, e sobre como é um filme bonito de acordo com o que foi trilhado.


"La La Land" ultrapassa o romance, sendo um filme sobre acreditar e perseguir nossos sonhos, sobre os impactos que outras pessoas podem ter em nossas vidas e, claro, sobre o amor. Aliás, a visão que o longa trás sobre o amor é interessante e diferente do que estamos acostumados a ver, o que torna tudo ainda mais instigante. O filme mostra que o relacionamento de Mia e Sebastian, embora não tenha durado para sempre, foi muito importante para o crescimento e evolução de ambos, de forma que ultrapassa a finitude da relação deles e impacta na vida dos dois para sempre. Ele, de certa forma, ressignifica o discurso do "não era pra ser", que existe quando relacionamentos terminam. Era pra ser, mas não era pra ser eterno. E tudo bem. Isso não quer dizer que não foi significativo. Mia e Sebastian, como casal, terminaram, mas o afeto e a relevância que ambos tiveram na vida um do outro permaneceram ali. O relacionamento deles não fazia mais sentido de acordo com o caminho que eles estavam trilhando, de acordo com o contexto das próprias vidas. Eles seguiram em frente, mas é nítido como o amor continuou a existir (e eu não estou falando necessariamente do amor romântico). 


A sequência final é simplesmente linda e genial. Mia se tornou uma atriz bem famosa, casou-se com um outro homem e teve uma filha com ele. Sebastian finalmente abriu seu clube, e se tornou bem sucedido em sua carreira. Assim, os dois estavam bem felizes com os caminhos que encontraram e trilharam. Eles se reencontram, cinco anos depois do término, no clube de Sebastian, enquanto ele se apresentava e Mia e seu marido o assistiam. Enquanto ele tocava a música tema dos dois no piano, quando a vê na plateia, "La La Land" mostra como a vida deles teria sido se eles tivessem continuado juntos, mas, para isso, as circunstâncias teriam de ter sido outras. Mas não foram, porque elas são o que são. É um pouco triste, quando você para pra pensar, e vou ser sincera: chorei. Dessa forma, voltamos à realidade. Sebastian termina de tocar, e Mia e o marido vão embora do clube, mas antes, Mia e Sebastian trocam olhares genuínos. Não porque querem reviver o passado, mas pela grandiosidade que tiverem na vida um do outro, que os levaram a estarem onde estavam. É uma cena singela, mas que tem um significado enorme. É como se pudéssemos sentir o sentimento deles, como se transbordasse para além da tela. Para isso, no entanto, não foi necessária nenhuma palavra, pois o filme fala por si só, assim como os gestos, os olhares e a canção. 

Então, o longa termina, deixando-me com lágrimas nos olhos e um nó entalado na garganta pela beleza do que eu acabei de ver e sentir. Como bem disse Vinícius de Moraes no "Soneto de Fidelidade", especialmente em seu trecho mais famoso: "Eu possa me dizer do amor (que tive)\Que não seja imortal, posto que é chama\ Mas que seja infinito enquanto dure". 



domingo, 1 de janeiro de 2023

Retrospectiva cinematográfica 2022 :)

janeiro 01, 2023 0 Comments


Oi, galerinha! Como disse no post anterior, eu provavelmente só conseguiria escrever a retrospectiva de filmes hoje, em pleno 2023. Então aqui estou eu, trazendo os filmes que assisti no ano passado (ainda preciso me acostumar a isso). Desde o ano retrasado (ou seja, 2021) eu anoto os filmes que assisto, e, em 2022, eu creio que não tenha deixado nenhum de fora. Se deixei, provavelmente foram pouquíssimos. De qualquer forma, em 2022 eu assisti a menos filmes do que em 2021, mas passei perto! Esse ano a ordem dos filmes está quase 100% certinha, porque também houve filmes que eu só fui anotar depois de um tempinho. Alguns deles eu reassisti, como foi o caso de Central do Brasil. Enfim, vamos à lista! :) 

Aqui, inseri o nome dos filmes, e, ao lado, a nota que dei a ele (em um total de cinco estrelinhas). Os filmes que possuem um coração ao lado foram meus favoritos!


  1. Lua Nova (Saga Crepúsculo) - 3,5⭐
  2. Julie e Júlia - 4,5⭐ 
  3. Escola de Rock - 4,2⭐❤
  4. Mensagem Para Você - 4,7⭐❤
  5. Quase Famosos - 2,5⭐
  6. Recém-formada - 3,5⭐
  7. Ilha das Flores - 4,0⭐
  8. Submarine - 2,8⭐
  9. Hermanoteu Na Terra de Godah - 4,1⭐❤
  10. Bee Gees: How Can You Mend A Broken Heart - 5⭐❤
  11. Esposa de Mentirinha - 3,8⭐
  12. Uma História de Amor e Fúria - 4,0⭐
  13. Cidade dos Anjos - 4,2⭐
  14. Ainda Estou Aqui - 3,0⭐
  15. A Noiva Cadáver - 3,5⭐
  16. O Menino Que Descobriu o Vento - 4,2⭐
  17. Laura Pausini: Prazer em Conhecer - 3,5⭐
  18. Olha Quem Está Falando - 3,6⭐
  19. O Que Esperar Quando Você Está Esperando - 4,0 ⭐
  20. Como se Fosse a Primeira Vez - 3,8⭐
  21. Amor e Gelato - 3,5⭐
  22. Lightyear - 4,2⭐
  23. Com Amor, Anônima - 3,8⭐
  24. Crush: Amor Colorido - 4,0⭐
  25. Beijando Jessica Stein - 3,7⭐
  26. Casamento Grego - 3,6⭐
  27. A Pelada - 1,5⭐
  28. Em Busca de Um Lar - 4,0⭐
  29. (500) Dias Com Ela - 4,8⭐❤ (Sim, dei uma nota maior do que no ano passado. Reassistido ficou ainda melhor)
  30. Shrek - 4,0⭐
  31. Central do Brasil - 5,0⭐❤
  32. Shrek 2 - 4,5⭐
  33. Shrek 3 - 4,7⭐
  34. O Jogo da Imitação - 5⭐❤
  35. Um Sonho de Liberdade - 4,8⭐
  36. Grande Menina, Pequena Mulher - 3,6⭐
  37. Medida Provisória - 4,8⭐
  38. Da Magia à Sedução - 3,6⭐
  39. Liga dos Superpets - 3,2⭐
  40. Minions 2: A Origem do Gru - 4,5⭐
  41. Enola Holmes 2 - 3,5⭐
  42. 100 Medos - 4,5⭐
  43. O Pianista - 4,0⭐
  44. E Se Fosse Verdade - 4,8⭐❤
  45. Juno - 4,3⭐
  46. Adoráveis Mulheres - 5⭐❤
  47. Pinóquio - 5⭐❤ 
  48. Desenrola - 2,8⭐
  49. Mesmo Se Nada Der Certo - 4,9⭐❤
  50. Barbie em A Canção de Natal - 3,5⭐
  51. Esposa de Aluguel - 3,5⭐
  52. Olhem Quem Está Falando Também - 3,8⭐
  53. O Noivo da Minha Melhor Amiga - 2,4⭐

É isso, galerinha! Feliz 2023 para todos nós <3 Que venham vários bons filmes e bons livros hehehe

sábado, 31 de dezembro de 2022

Retrospectiva literária 2022 :)

dezembro 31, 2022 0 Comments

Oii, pessoal! Feliz Ano Novo! Obrigada por acompanharem o Sementes Literárias :) Que 2023 seja um ano recheado de coisas boas e felizes na vida de todos nós. Que represente positivas mudanças, também na realidade de nosso país. Que seja um excelente recomeço <3 Como faço todos os anos, aqui estou eu, trazendo a retrospectiva dos livros que li em 2022. Ano passado, li 14. Esse ano, li 9 livros a mais, totalizando 23! Estou bastante feliz! Entretanto, o que realmente importa não é a quantidade, mas sim o quanto gostei das minhas leituras esse ano. 

Para 2023, não estabeleci nenhuma meta de leitura (eu nunca faço isso). O que espero, assim como todos os anos, é que eu continue lendo, no meu ritmo, e que sejam leituras bastante proveitosas! 


Enfim, vamos lá, pessoal! Lembrando que você encontra a resenha de (quase) todos os livros por aqui. Os únicos pendentes são o segundo e o terceiro volume de Heartstopper, mas em breve eu escrevo. A lista está na ordem de leitura.


  1. Depois Daquela Viagem - Valéria Piassa Polizzi 
  2. Anésia - Will Leite 
  3. Um Milhão de Finais Felizes - Vitor Martins ❤
  4. Quinze Dias - Vitor Martins
  5. O Mistério do Cinco Estrelas - Marcos Rey 
  6. Heartstopper: Dois Garotos, Um Encontro - Alice Oseman 
  7. Heartstopper: Minha Pessoa Favorita - Alice Oseman (Resenha pendente)
  8. O Príncipe e a Costureira - Jen Wang 
  9. A Diferença Invisível - Julie Dachez e Mademoiselle Caroline 
  10. O Reino de Zália - Luly Trigo 
  11. Adultos Sem Filtro e Outras Crônicas - Thalita Rebouças 
  12. Com amor, Anônima - Wendy Mora
  13. O Ladrão de Raios (Série Percy Jackson e os Olimpianos) - Rick Riordan
  14. O Mar de Monstros (Série PJO) - Rick Riordan 
  15. A Maldição do Titã (Série PJO) - Rick Riordan 
  16. A Batalha do Labirinto (Série PJO)  - Rick Riordan
  17. O Último Olimpiano (Série PJO) - Rick Riordan ❤
  18. Heartstopper: Um Passo Adiante - Alice Oseman (Resenha pendente)
  19. Se a Casa 8 Falasse - Vitor Martins ❤
  20. Téo & o Mini Mundo: Quentinho no Coração - Caetano Cury 
  21. Vejo Você no Espaço - Jack Cheng 
  22. Romance Real - Clara Alves
  23. Arlindo - Luiza de Souza (@ilustralu) ❤

Eu adorei as minhas leituras em 2022! Nas minhas favoritas, eu coloquei um coração ao lado <3 Creio que os pontos altos desse ano no quesito literário tenham sido Percy Jackson e a minha pessoal descoberta de Vitor Martins. De qualquer forma, foi um ano recheado de bons livros. Que 2023 seja tão bom quanto (ou até melhor!).

Em breve escrevo a retrospectiva cinematográfica! Como neste exato momento eu estou na casa da minha avó, não estou com meu caderno de filmes à disposição. Dessa forma, não sei se poderei escrever a retrospectiva de filmes ainda hoje. Mas não se preocupem! Se ela não sair hoje, sairá ano que vem (também conhecido como "amanhã" hahaha). Até breve e feliz Ano-Novo!

sábado, 24 de dezembro de 2022

Resenha: "Heartstopper Vol. 1: Dois garotos, um encontro"

dezembro 24, 2022 0 Comments
HEARTSTOPPER: DOIS GAROTOS, UM ENCONTRO
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 288
Nota: 4\5 ⭐


Oi, gente! Primeiramente, Feliz Natal!! Pois bem. Hoje, FINALMENTE trago a resenha do primeiro volume de Heartstopper. Inicialmente, eu não escrevi porque eu pensei: "Ah, eu escrevo quando tiver lido os quatro volumes e deixo tudo numa resenha só". Não é uma escolha sensata quando se trata de séries literárias, e uma das razões são os spoilers. Aí o tempo foi passando e eu fui empurrando a resenha com a barriga, porque quanto mais tempo passa, menos o livro fica fresquinho na nossa cabeça. E, como eu li até o terceiro volume, havia coisas que eu achava que tinham acontecido em um volume e tinham acontecido em outro! Foi uma besteira que eu fiz, e não recomendo. Mas cá estamos, depois de eu ter dado uma olhada novamente no volume 1, para poder falar sobre ele sem colocar coisa dos outros dois sem querer. Vamos lá!


A história acompanha dois garotos: Nick Nelson e Charlie Spring, ambos estudantes de uma escola só para garotos na Inglaterra. Charlie está no primeiro ano do Ensino Médio, é gay e havia sido tirado do armário um ano antes do momento em que o enredo se passa, sofrendo com bullying e fofocas por conta de sua sexualidade. Ao saber dos boatos, um rapaz chamado Ben começa a se aproximar de Charlie com o único intuito de beijá-lo quando bem entendesse, mesmo sem nutrir nenhum sentimento pelo protagonista. Assim, Charlie precisa lidar com o bullying e com um relacionamento abusivo, em que ele claramente só está sendo usado. A história de "Heartsopper" se passa após esse momento de bullying, e, ao longo da leitura, vamos descobrindo mais sobre as marcas deixadas por esse período difícil pelo qual Charlie passou.  Nick, por sua vez, está no segundo ano, é um atleta de rúgbi, supostamente "obviamente" hétero, querido por todos e que possui amigos preconceituosos. Ambos os protagonistas se conhecem graças ao fato de que um de seus professores os colocaram para formarem dupla em suas aulas, fazendo com que eles se aproximassem e eventualmente se tornassem amigos. Até que essa amizade evolui para um interesse romântico mútuo, e Nick precisa lidar com os questionamentos sobre a própria sexualidade e com todas as certezas que ele achava ter até então. Assim, nesse primeiro volume, vamos acompanhar o florescimento dos sentimentos, antes que Nick e Charlie comecem a namorar de fato. 


"Heartsopper" tem, inclusive, uma série na Netflix que fez o maior sucesso, que se origina dos quadrinhos. No entanto, eu tentei assistir e não me prendeu. Larguei perto do final. Mesmo que a adaptação seja bem fiel, não sei por que não me cativou tanto assim... talvez funcione melhor nos quadrinhos, não sei. Mas, realmente, não prendeu minha atenção. De qualquer forma, creio que valha a pena você conferir para tirar as suas próprias conclusões. Enfim. 


Os traços são delicados e são uma verdadeira gracinha! Tem várias cenas que mostram os quartos dos protagonistas, e, sinceramente, eu sou apaixonada no quarto do Charlie. Existem muitas referências musicais, já que ele toca bateria, mas a que chamou a minha atenção de cara foi um pôster dos Strokes. Também gosto muito do letreiro escrito "Music" em cima de sua cama. Muito massa! 


Claro, não posso deixar de dizer o quanto a história é fofinha e cativante, além de ser uma rápida e agrdável leitura! Eu, por exemplo, li em cerca de 1 horinha :) Os protagonistas e os amigos de Charlie são bem legais, e é bacana poder acompanhar o cotidiano deles, seus dilemas, conquistas e desafios. O quadrinho é bem leve, e mesmo temas pesados como homofobia e bullying são abordados com leveza e responsabilidade. De enredo singelo, "Heartsopper" cativa por sua genuinidade <3 É um livro bem cut cut! Recomendo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Dica de filme: "Mesmo se nada der certo"

dezembro 22, 2022 2 Comments
MESMO SE NADA DER CERTO
Elenco principal:
 Keira Knightley, Mark Ruffalo, Adam Levine, James Corden, Hailee Steinfeld, Catherine Keener
Diretor: John Carney
Classificação indicativa: 12 anos
Ano: 2013\2014
Onde assistir: Amazon Prime Video
Nota: 4,9/5 ⭐


Oi, galerinha! A última vez que eu recomendei algum filme por aqui foi em dezembro do ano passado 😯 Mas aqui estou eu, depois de tanto tempo, para recomendar um filme super agradável e gostosinho de se assistir! Já havia visto várias vezes trechos de "Mesmo se nada der certo" (Begin Again, em inglês) quando passava na TV ou, até mesmo, na internet, mas nunca tinha chegado a assistir ao filme inteirinho, do começo ao fim certinho. Pois bem, hoje finalmente fiz isso! Ele está disponível no Prime Video, caso você tenha curiosidade de ver. 


O longa-metragem acompanha dois protagonistas: Dan (Mark Ruffalo) e Gretta (Keira Knightley) na cidade de Nova Iorque. Dan é um produtor musical frustrado, depressivo e alcóolatra, cuja carreira está em constante declínio, e acaba de ser demitido da gravadora que ele mesmo fundou, mas vendeu a própria parte há anos. Ele também possui uma relação complicada com a esposa e com a filha, com quem ele não mora já há algum tempo. Gretta, por sua vez, é uma compositora que havia se mudado para Nova Iorque para apoiar seu namorado, Dave (Adam Levine), na carreira de cantor, com quem ela compartilhava o interesse por música e juntos eles compunham canções. No entanto, depois que Dave a trai e o relacionamento termina, Gretta está disposta a retornar à Inglaterra, já que ficar em Nova Iorque não faz mais sentido para ela. Assim, ela passa a morar com seu amigo Steve (James Corden. Sim, o apresentador de TV), que a convida para acompanhá-lo em uma apresentação musical que ele ia realizar num bar. Ela vai, e acaba tocando uma de suas músicas por insistência de Steve. É nesse momento que Dan a conhece e enxerga um enorme potencial nela, convencendo-a a ficar em Nova Iorque para que pudessem gravar suas músicas.


A amizade que Dan e Gretta desenvolvem é um ponto muito importante na história, pois ambos evoluem a partir dessa relação, passando a possuir uma nova perspectiva sobre as próprias vidas. É algo belo e genuíno. Uma amizade sincera sem segundas intenções, em que é possível encontrar apoio e compreensão. Além disso, "Mesmo se nada der certo" nos presenteia com uma trilha sonora impecável, que casa perfeitamente com o enredo, tanto melodicamente como com relação às letras. Não é um filme de muita música e pouca história, pois um complementa muito bem o outro. Assim, as cenas musicais são maravilhosas e bem-feitas, não sendo enfadonhas em nenhum momento. 



Aqui, por exemplo, vou colocar a minha música favorita do filme: Lost Stars (Estrelas Perdidas), na versão que a Keira Knightley canta e na versão do Adam Levine (ambas estão no longa). Ela foi, inclusive, indicada ao Oscar de Melhor Canção Original em 2015. Eu era completamente viciada nessa música em 2018, e eu nem me lembrava dessa canção no filme naquela época. Isto porque, como eu disse, eu nunca tinha chegado a assistir ao filme inteiro de fato, só partes (e continuou assim, eu vendo pedaços, até hoje isso ser mudado hahaha). Enfim. Há dois trechos em particular que acho muito interessantes em Lost Stars (a música inteira é, na verdade):


God, tell us the reason

Youth is wasted on the young 

(Deus, nos diga a razão

para a juventude ser desperdiçada nos jovens)


But are we all lost stars

Trying to light up the dark?

(Mas somos todos estrelas perdidas

tentando iluminar a escuridão?)

Esta segunda frase, aliás, está na bio do meu Pinterest há anooos - sem pretensão de tirar. Enfim. Vale a pena conferir a trilha sonora na íntegra! 




"Mesmo se nada der certo" é perfeito para quem ama filmes e música (e eu me incluo nessa categoria). É divertido, é criativo, é sincero, é leve. Sabe aquele filme que você termina de assistir se sentindo genuinamente bem? Com um calor agradável no peito, aquela sensação gostosa que apenas bons filmes nos proporcionam? Pois bem. É exatamente isso. Uma obra sobre recomeços (como bem indica o título original), sobre tentar e seguir seus sonhos (como o título em português "deixa no ar"), sobre amizade, e, claro, sobre música. Uma excelente pedida! Fica a dica ;)


Créditos: @cineseriesoficial no Instagram

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Resenha: "Arlindo"

dezembro 20, 2022 0 Comments
ARLINDO
Autora:
 Luiza de Souza (@ilustralu) 
Editora: Seguinte
Número de páginas: 200
Nota: 4,8/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje eu trago a resenha de "Arlindo", livro que adquiri por meio do Dia do Quadrinho Grátis. Esse dia na verdade foi final de semana passada, nos datas10 e 11 de dezembro. Eis o que diz o site do evento: 

"Como o nome já diz, o Dia do Quadrinho Grátis é um dia em que as lojas especializadas participantes, espalhadas pelo país, distribuem quadrinhos gratuitamente para todo mundo que entrar na loja! Um evento, inspirado no “Free Comic Book Day” americano, que já está em sua quinta edição no Brasil! O Dia do Quadrinho Grátis acontecerá nos dias 10 e 11/12/2022, durante um evento, organizado pela Editora Devir, chamado: Virada Nerd.[...] A Amazon.com.br distribuirá gratuitamente a versão digital de uma seleção de quadrinhos, com exclusividade [...]"


Eu fiquei sabendo da iniciativa por causa do Instagram da Seguinte, editora que publicou "Arlindo", pois este era um dos livros disponíveis para serem baixados gratuitamente no site da Amazon. Como era um livro que eu já queria ler há bastante tempo, corri para adquirir o meu! Achei a iniciativa super bacana, porque facilita o acesso a esse tipo de literatura e ainda ajuda a divulgá-la, de forma legalizada. Mesmo que você não tenha um Kindle, você pode acessar o livro por meio do aplicativo do Kindle no celular ou pelo site https://ler.amazon.com.br. Eu, por exemplo, mesmo tendo o e-reader, preferi ler pelo meu celular porque no Kindle as imagens são preto e branco (e as cores em Arlindo são muito bem trabalhadas e lindas!!!). A forma como a autora utilizou as cores rosa, amarelo e azul também torna o livro visualmente ainda mais bonito, pois ela combinou perfeitamente as cores com a fofura que é a história e com seus traços dinâmicos e também bonitos. 


    Explosão de cores!!!!

A obra acompanha o adolescente Arlindo (ou "Lindo", para os mais íntimos) em uma pequena cidade conservadora do Rio Grande do Norte em meados dos anos 2000. Assim, podemos ver a sua relação com os colegas, amigos, familiares e também podemos perceber como a homofobia é bastante presente e limitante, não apenas em sua vida, mas na de qualquer pessoa LGBTQIA+. O protagonista precisa lidar com a falta de acolhimento do pai, extremamente homofóbico e machista, com as fofocas da cidade sobre a sua sexualidade, e, ainda, com as zoações na escola, pelo simples fato de ele ser quem ele é. Nesse aspecto, Arlindo encontra apoio em seus amigos, Mari, Lis, o novato Pedro e Luis Felipe, na sua tia, mãe, avó e também na figura de sua irmã caçula. A forma como essas relações são construídas é bastante convincente e fofa, fazendo com que o tema da amizade e família sejam bastante recorrentes e importantes na história. É muito bonito ver como a quadrinista retrata os sentimentos e as relações das personagens, de forma tão delicada e sutil que se torna encantador observar o mudinho de Arlindo, mesmo que por um breve momento, já que se trata de uma leitura bem rapidinha e gostosa de se fazer. As personagens são verdadeiramente cativantes! 


Além disso, "Arlindo", como consequência da época em que o enredo se passa, é recheado de referências aos anos 2000! Como eu não vivi essa época (quero dizer, em 2009, final da década, eu tinha apenas 3 aninhos. Não conta muito, conta?), foi muito legal poder vivenciar através dos quadrinhos coisas que eram super comuns naquela época e que hoje em dia não são mais recorrentes ou simplesmente não existem mais, como locadoras, troca de mensagens por MSN, DVDs e CDs (mas, no caso destes, eu usava bastante até 2016\2017, quando eu comecei a usar o streaming), etc. Existem também inúmeras referências musicais, com destaque para Pitty e para Sandy e Júnior. Elas estão presentes através dos CDs, das cantorias cotidianas, simples conversas e, até mesmo, em uma espécie de status do MSN, em que você podia escrever uma frase (muitas pessoas usavam para colocar trechos de música). Achei super legal que várias das músicas eu conhecia e gostava!! Teve também referência ao The Smiths e à música "Eu não sei dançar", da Marina Lima, que eu recomendei na penúltima postagem. Enfim, adorei isso!! Outro aspecto super legal é brasilidade fortemente presente na obra. É fácil se identificar com as personagens e com as falas delas, e achei engraçado como um monte de coisa que a mãe de Arlindo fala a minha também diz. Isso faz com que nos conectemos ainda mais com aquele universo, como se realmente fizéssemos parte da turminha do Arlindo e estivéssemos lá, torcendo por ele. 


MSN! 

"Arlindo" é uma obra belíssima, tanto visualmente como com relação à sua história, que fala, sobretudo, sobre amor, acolhimento e sobre ser quem se é, enquanto busca seu lugar no mundo. Vale super a pena a leitura, que dá gostinho de quero mais, aquece nosso coração e nos presenteia com esperança. Assim, fica bem claro que a beleza do livro não se restringe ao título: é lindo, lindo, lindo. 


<3

domingo, 18 de dezembro de 2022

Resenha: "Romance Real"

dezembro 18, 2022 0 Comments
ROMANCE REAL
Autora:
 Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de páginas: 262
Nota: 3/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de "Romance Real", livro que estava na minha lista e que ganhei de presenta de uma amiga minha num amigo secreto. Ele foi escrito por Clara Alves, autora de Conectadas, e me lembro de ter gostado do livro na época que li. A proposta básica de "Romance Real" era que esta fosse uma história tipo os contos de fadas, porém sáfica, ou seja, retratando o relacionamento entre duas mulheres, não necessariamente lésbicas. A proposta é interessante, mas a leitura não me prendeu de verdade em nenhum momento. De qualquer forma, foi boa para passar o tempo. 


Primeiramente, "Romance Real" vai acompanhar a trajetória de Dayana depois que ela se muda para Londres para morar com o pai, Roberto, já que a sua mãe havia falecido há pouco tempo. No entanto, ela não via o pai há dez anos, desde que ele se mudou para a Inglaterra para tentar ganhar mais dinheiro, tivera seus planos frustados, e conhecera outra mulher lá. Então, acabou permanecendo e nunca mais voltou ao Brasil. Com a morte da mãe, Dayana propõe aos avós (com quem ela inicialmente passou a morar) que ela vá para Londres para viver com o pai, e os avós acabam aceitando, para a surpresa da protagonista, que não pensava que os avós fossem levar o pedido a sério. Essa mudança se mostra um grande desafio para ela, pois precisaria conviver com o homem que a abandonou quando ela ainda era uma criança, além de ter que lidar com a madrasta, Lauren, e a sua filha, Georgia. Mesmo que Londres fosse um sonho que compartilhava com a mãe, Dayana não se sentia bem naquela cidade, naquela casa, e a falta da figura materna era um vazio dentro de si. 


Nos seus primeiros dias na capital inglesa, Dayana vai passear pela cidade e passa pelo Palácio de Buckingham. Enquanto admirava a faixada do lugar, uma garota de cabelos ruivos (que também se chamava Diana) escala as grades do Palácio e cai em cima de Dayana. Ela estava fugindo, desesperada, e Dayana acaba se juntando à menina, mesmo sem entender a razão de sua fuga. Ambas as garotas acabam se aproximando, e a companhia de Diana torna aquela cidade mas suportável na concepção da protagonista. 


Assim, com o passar do tempo, segredos são revelados, por parte de todos. 


Ela tinha uma voz rouca, meio grave, daquelas que vão no fundo da alma e reverberam dentro da gente

 

Como disse no começo desta resenha, o livro não me prendeu tanto. Dayana é uma personagem  irritante em diversos momentos: impulsiva, imatura, grossa. A gente compreende as suas dores, a sua raivas e as suas revoltas, mas isso não justifica a forma como ela trata as personagens do livro (e eu não estou nem falando apenas do núcleo familiar de Londres).  Vi algumas pessoas reclamando que o romance entre Dayana e Diana tinha sido "do nada" porque foi quase como um amor à primeira vista, mas isso não me incomodou porque, tendo em vista a premissa da história de se assemelhar a um conto de fadas, é algo que faz sentido e funciona nesse contexto. No entanto, o livro é mais focado na vida de Dayana e nas relações que ela constrói com sua nova família do que no romance de fato. Apesar disso, o romance tem um papel de destaque e de grande importância na história. 


Marcadores que vieram para recortar no livro


Um bom livro para passar o tempo, mas nada além disso. Não senti conexão com a história, nem com as personagens. De qualquer forma, a que eu mais gostei foi Lauren. Enfim. Outro aspecto que eu não curti muito foi que a resolução de alguns conflitos também foi pouco convincente... Sobre os pontos positivos, cito as várias referências a Londres, seja descrevendo a própria cidade, seja falando sobre filmes que a retratam, como Um lugar chamado Nothing Hill. Aliás, há inúmeras referências a este filme por aqui, o que me agradou bastante! Preciso revê-lo, assisti há muitos anos e não me lembro direito de muitas coisas. Também tem várias referências à One Direction, pois este é o grupo favorito de Dayana. No começo de cada capítulo, por exemplo, há um trechinho de alguma música deles. Imagino que isso torne a experiência do livro mais legal pra quem é fã deles, então achei bacana também, mesmo sem escutá-los. No entanto, creio que a autora poderia ter colocado os trechos acompanhados de traduções, para tornar a leitura mais acessível. Também gostei da maneira como Clara retratou o luto de Dayana, mostrando como isso realmente a afetava, de forma natural. 


"Romance Real" é uma obra para quem está buscando algo mais levinho, mas que aborda temas importantes mesmo assim (como abandono parental, luto e representatividade LGBTQIA+, entre outros). No entanto, não é um livro que eu curti tanto assim, apenas o suficiente. 


Quando eu estava com Diana, não era exatamente como se me sentisse inteira; eu não seria tão clichê. Mas a gente se ajudava a juntar os caquinhos e se sentir normal, apesar dos remendos.