sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Resenha: "Entregas Expressas da Kiki"

setembro 04, 2026 0 Comments
ENTREGAS EXPRESSAS DA KIKI
Autora:
 Eiko Kadono
Ilustrações: Daniel Kondo
Número de páginas: 240
Editora: Estação Liberdade
Nota: 4,5/5 ⭐


Oi, pessoal! semana passada eu  concluí a leitura de "Entregas Expressas da Kiki", livro que inspirou o filme de Hayao Miyazaki ,"Serviços de Entregas da Kiki", o primeiro que vi do Studio Ghibli. Uma leitura bem fofa e aconchegante, que aquece nosso coração com tamanha delicadeza. 


Assim, acompanhamos a bruxinha de 13 anos Kiki, que parte para uma nova cidade em busca de sua independência. Trata-se de uma tradição das bruxas, que, ao completarem essa idade, despedem-se de seus pais e precisam passar 1 ano em uma nova cidade, a fim de se descobrirem, se conectarem com a própria magia (no caso de Kiki, sua grande habilidade é voar) e alcançarem, portanto, a independência, conectando-se às pessoas daquele novo lugar. Entretanto, a viagem não é solitária: as bruxas são acompanhadas por seus gatinhos pretos, que só elas podem escutar e entender. No caso de Kiki, esse gatinho é Jiji, de personalidade sarcástica e companheira. 


Quando Kiki chega na cidade escolhida por ela, Koriko, pois era maior que sua cidade natal e ficava à beira mar, a bruxinha precisa se adaptar a um novo ambiente e a novas pessoas. Ela, então, em seu primeiro dia, conhece Osono, dona de uma padaria local, que oferece a ela o armazém do estabelecimento para que Kiki pudesse se estabelecer na cidade.  É quando uma cliente esquece a chupeta de seu filho na padaria que Kiki tem o primeiro esboço do serviço que dá nome ao livro e ao filme, precisando devolver rapidamente o item ao bebê. Em seguida, ela tem a ideia para seu serviço de entregas, uma forma de explorar e desenvolver a habilidade de voar e de se adaptar mais facilmente a Koriko, auxiliando os moradores do lugar. Em troca, os moradores dariam o que podiam, como um serviço de trocas. 

Após isso, cada capítulo é como se fosse uma crônica de um serviço de entregas que precisou realizar, que sempre geram adoráveis aventuras. 




Em relação ao filme, o livro possui nítidas semelhanças, claro, mas são diferentes. Algo que gostei bastante na obra literária é a presença maior dos pais de Kiki e um maior desenvolvimento da relação entre família, pois, no longa-metragem, a impressão que tenho é que isso ficou meio de lado. Aliás, Kiki sempre toma sua mãe como ponto de referência em sua vida, seja como bruxa ou não, o que é bem fofo. Além disso, ambas as mídias abordam os temas de amadurecimento e inseguranças no processo em torno de Kiki, mas, também, de modo diferente. Na obra de Hayao Miyazaki, por exemplo, Kiki chega até a perder a habilidade de voar e de entender o que Jiji fala, como fruto de suas incertezas e de seu amadurecimento, mas isso não ocorre no livro. Durante a leitura, por sua vez, Kiki enfrenta uma série de questionamentos sobre estar fazendo um bom trabalho, chegando também a se comparar com outras garotas da sua idade. Ademais, a maior parte dos serviços realizados também divergem. 

Depois dessas considerações, vale dizer que eu não considero uma obra melhor do que a outra: ambas se complementam! Desse modo, vale dar uma olhada tanto no filme, como no livro. Ah, e na época em que assisti ao longa pela primeira vez, fiz uma breve postagem aqui no blog, que você pode conferir clicando aqui! :)


Outra coisa que gostaria de destacar é essa edição BELÍSSIMA da editora Estação Liberdade. O livro é ricamente ilustrado pelo brasileiro Daniel Kondo, com desenhos que ajudam a contar a história e que embelezam a narrativa. Ele também conta com páginas grossinhas, letras na cor azul e um marcador de páginas personalizado, tornando a experiência de leitura ainda mais rica. Muito lindo mesmo. Espero que a Estação Liberdade publique, em breve, os outros livros que narram as aventuras da bruxinha, visto que se trata de uma série de seis obras e, no momento, só a primeira se encontra em circulação. 



Dessa maneira, considero "Entregas Expressas da Kiki" um excelente livro para crianças, especialmente jovens meninas. Somos apresentados a uma protagonista que enfrenta questões típicas da pré-adolescência, notadamente os desafios de crescer, as descobertas do mundo, os laços que fazemos com as pessoas ao nosso redor, as inseguranças, a autoconfiança em desenvolvimento, etc etc. Kiki é destemida e ousada, mas também tem suas questões. Isso é realista e sincero, e creio que torna o livro ainda melhor, uma vez que não apesenta uma protagonista perfeita e infalível, mas alguém que, em meio a suas imperfeições, sempre tenta se tornar alguém melhor. Está muito recomendado!


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Resenha: "Viva a Vagina: Tudo que você sempre quis saber"

agosto 27, 2026 0 Comments
VIVA A VAGINA: TUDO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER 
Autoras:
 Nina Brochmann e Ellen Støkken Dahl
Editora: Paralela 
Número de páginas: 344
Nota: 4,5/5 ⭐


Oi, pessoal! Semana passada concluí a leitura da obra "Viva a Vagina: tudo que você sempre quis saber", escrito por Nina Brochmann e Ellen Støkken Dahl, na época ainda estudantes de Medicina. Foi uma leitura bastante didática e gostosinha, visto que a linguagem das autoras é bastante simples, acessível e bem humorada. Além disso, o livro ainda conta com algumas ilustrações da enfermeira Tegnehanne, que ajudam a tornar o conteúdo mais compreensível e leve.


É escandaloso que a profissão médica tenha demonstrado tão pouco interesse numa estrutura [o hímen] que, na pior das hipóteses, pode significar a perda da honra ou da vida para mulheres até hoje. Um agravante ainda maior é o fato de que as informações disponíveis não chegam a quem precisa delas. Nesse sentido, temos todas um trabalho importante a fazer. É hora de arregaçar as mangas. 


Desse modo, as autoras se debruçam sobre diversos tópicos, divididos nas seguintes seções: "O aparelho genital", "Secreção vaginal, menstruação e outras melecas", "Sexo", "Contracepção" e "Problemas nas partes íntimas". Assim, pude relembrar (e até matar um pouco a saudade, visto que era uma das matérias de que mais gostava) as aulas de biologia do colégio, e até aprender coisas novas! Dessa maneira, Nina e Ellen se debruçam sobre o aparelho genital feminino e sua estrutura, os hormônios envolvidos, o funcionamento dos métodos contraceptivos e as doenças que podem atingir essa parte do nosso corpo (e não somente ISTs, infecções sexualmente transmissíveis), entre outras questões, como aborto (espontâneo e provocado), mutilação genital feminina , TPM, fertilidade, as hipóteses em torno da existência do ponto G, pelos e depilação (inclusive com dicas sobre o tema), o mito que é a distinção entre orgasmo clitoriano e orgasmo vaginal, e muito mais! 



Eu, por exemplo, achei muito legal aprender mais sobre o funcionamento dos métodos contraceptivos, pois não compreendia ao certo a lógica por trás deles (principalmente da pílula anticoncepcional).  Também achei interessante relembrar como funcionam os hormônios durante o ciclo menstrual, aprender sobre doenças ginecológicas comuns que não compreendia (como a endometriose), sobre como funciona o aborto, sobre nossos órgãos e várias outras coisas!


Além disso, as autoras adotam no texto uma perspectiva crítica em torno das temáticas abordadas, indicando que, sobre muitos assuntos, ainda há carência de estudos (o que é lamentável, principalmente porque o corpo da mulher foi muito relegado ao longo da História, e não foi diferente no campo das pesquisas científicas). Elas também trazem dados e diversas pesquisas, o que ajuda a enriquecer o conteúdo apresentado. 


Não existe qualquer outra área da política em que achamos tudo bem impor a um cidadão um custo pessoal tão alto para satisfazer as normas morais da sociedade como fazemos ao impor a uma mulher a gestação de uma criança contra sua vontade.


Tudo isso é feito com uma linguagem acessível e divertida, através da qual Nina e Ellen buscam esclarecer as principais dúvidas que as mulheres têm a respeito do próprio corpo e, também, desmistificar uma série de concepções equivocadas em torno do corpo feminino. Em nenhum momento, inclusive, as autoras querem impor verdades: elas apresentam informações e dicas, com uma perspectiva crítica, estando abertas às novas descobertas que podem surgir no campo da Medicina. Além disso, acerca dos temas polêmicos (como aborto e sobre a idade "certa" - com muitas aspas - para se ter um filho), elas enfatizam a importância de a mulher decidir por si mesma. Em razão disso, considero uma leitura bastante importante para mulheres, pois é uma forma divertida e muito didática de aprender mais sobre o corpo feminino e de esclarecer dúvidas que permeiam a cabecinha de muitas de nós - e, no entanto, vários são os questionamentos que temos vergonha de perguntar por aí. Conhecimento é uma maneira muito eficaz de empoderamento. 


Portanto, "Viva a Vagina: Tudo que você sempre quis saber" é um livro que está mais do que recomendado! Principalmente para as mulheres, mas - por que não? - para os homens também!


No final das contas, o corpo é apenas um corpo, mas é o único que você terá, por isso é muito valioso.  


 

sábado, 8 de agosto de 2026

Resenha: "Paradise Kiss - Volume 1"

agosto 08, 2026 0 Comments
PARADISE KISS -VOLUME 1
Autora:
 Ai Yazawa
Editora: Planet Manga 
Número de páginas: 184
Nota: 3,7/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje terminei a leitura do primeiro volume de "Paradise Kiss", de Ai Yazawa - mesma autora de "Nana"! A série de mangá conta com 5 volumes ao todo, e foi adaptada para um anime - com 12 episódios - em 2005. Trata-se de uma espécie de spin-off de outro mangá da autora: Gokinjo Monogatari (Neighborhood Story), que, infelizmente, nunca foi oficialmente traduzido para português e publicado por aqui (mas, quando terminar Paradise Kiss, pretendo ler na pirataria mesmo kkkk). Inclusive, "Paradisse Kiss" conta com várias referências ao mangá antecessor, mas, se você não o leu (assim como eu), a experiência de leitura não é nem um pouco prejudicada. Enfim! 


"Paradise Kiss" acompanha Yukari, uma estudante do terceiro ano que possui uma rotina intensa devido ao vestibular, e que sofre com a pressão dos pais para seguir um caminho tradicional de modo brilhante - algo que ela, entretanto, não sabe se é o que deseja para si. Na realidade, ela ainda não descobriu aquilo que a desperta, que faz brilharem seus olhos. É nesse contexto que Isabella e Arashi a encontram caminhando pelas ruas e a abordam para que ela seja modelo da marca de roupas deles, - a Paradise Kiss - um caminho que ela nunca tinha imaginado que pudesse tomar. Entretanto, julgando-os pela aparência deles e imersa em preconceitos, Yukari desmaia assim que eles vão falar com ela, sendo levada ao ateliê da Paradise Kiss. Depois de alguns mal-entendidos e preconceitos desconstruídos, Yukari aceita se tornar a modelo da marca e se envolve com as pessoas de lá. Aliás, o ateliê também é composto por Miwako (irmã mais nova da protagonista de Gokinjo Monogatari, inclusive) e George, personagens com quem a protagonistas se envolve mais aprofundadamente. Este último, por exemplo, a faz questionar a paixão que nutria por um colega de classe, Tukomori. Além disso, todos os membros do ateliê são estudantes do terceiro ano do Instituto de Artes Yazawa, onde praticam design de roupas e costura. 




É interessante como Ai Yazawa introduz a história nesse primeiro volume, apresentando uma protagonista que vê suas crenças serem descontruídas após encontrar um grupo de pessoas completamente diferentes de si mesma, e, a partir de contraste, descobre outras facetas de sua própria personalidade. Tudo narrado de forma leve e permeada por humor, alinhado a um estilo de arte único e bonito. 


Vale frisar também que a edição, da Planet Manga (selo da Panini), é muito bem trabalhada e bonita, contando até com um marcador com a arte da capa e contracapa. Ainda há, ao final do livro, um glossário explicando algumas referências presentes na história, o que pode ajudar alguns leitores durante a leitura. 



Recomendo "Paradise Kiss" para quem busca algo leve e divertido, mas que, em meio à própria leveza, aborda também questões de identidade importantes e que explora bem as relações humanas - algo também presente em "Nana". Estou curiosa para o segundo volume! 


Contracapa :)

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Resenha: "Cartas de amor", de Fernando Pessoa

agosto 04, 2026 0 Comments
CARTAS DE AMOR
Autor:
 Fernando Pessoa 
Organização: Jerónimo Pizarro
Editora: Tinta da China Brasil
Número de páginas: 208
Nota: 3,3/ 5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de uma coletânea de cartas escritas por Fernando Pessoa à sua namorada, Ofélia Queiroz: "Cartas de Amor", da editora Tinta da China. Terminei de ler ontem! A obra também reúne algumas cartas trocadas entre Fernando e Madge Anderson, irmã da cunhada do escritor, por quem acredita-se que Pessoa nutria uma certa paixão. O foco, porém , recai sobre as cartas que Fernando escreveu a Ofélia, com quem se relacionou durante o ano de 1920 e, após quase uma década separados, reatou brevemente em 1929.  Ah, gostaria de dizer que comprei o livro com o primeiro salário da minha vida, o que me deixa bastante contente hihihihi 



"Cartas de Amor" permite que o leitor conheça um outro lado de Fernando Pessoa, para além do consagrado escritor que conhecemos. É divertido ter acesso a esse lado mais íntimo de alguém que figura entre os maiores nomes da literatura portuguesa - e mundial. Por exemplo: é possível ler diversas cartas em que Fernando escreve imitando a dicção de um bebê, falando com Ofélia de modo carinhoso - a quem ele chamava de Bebézinho e Nininha. Desse modo, lemos declarações de amor, cobranças por atenção, momentos de ciúmes, apelidos carinhosos, marcações de encontros... coisas simples que estão presentes na vida de qualquer casal. Acredito que isso colabora para tirarmos um pouco Fernando Pessoa do pedestal de gênio, tão distante do resto da humanidade, para mostrar que ele, em meio à sua genialidade inegável, era ao mesmo tempo alguém como qualquer um de nós. Entretanto, achei curioso como, em diversos momentos, Fernando diz que quem irá se encontrar com Ofélia não era ele mesmo, mas heterônimos como Álvaro de Campos, mostrando que essas personalidades iam além dos escritos do autor e tomavam vida em seu cotidiano.


Não me conformo com a ideia de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação - sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados. 

 


Ademais, a obra conta também com uma apresentação, bastante rica e detalhada, escrita por Jerónimo Pizarro (responsável por organizar a edição). Assim, ele contextualiza os escritos presentes no livro, falando sobre a vida pessoal do autor (com foco no seu relacionamento com Ofélia) e sobre outras edições que também reuniram tais cartas de amor. Há, ainda, uma série de notas de rodapé que auxiliam na compreensão das cartas, a partir de contextualizações - e trazendo até trechos das cartas de Ofélia, visto que o livro se concentra em trazer os escritos de Pessoa. Além disso, há poesias dedicadas à Ofélia, várias fotografias das cartas, de presentes que Fernando deu à namorada e também deles mesmos e de Madge Anderson. Aliás, ao fim do livro, é possível ler algumas cartas trocadas entre Madge e o escritor lusitano e trechos maiores de algumas cartas dedicadas a Fernando por Ofélia. 

Quando adquiri a obra, inclusive, pensava que a edição continha as cartas de Ofélia na íntegra, mas não é o que ocorre. Admito que fiquei bastante curiosa quanto a isso! 


Estas cousas fazem sofrer, mas o sofrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão de passar o amor e a dor, e todas as mais cousas, que não são mais que partes da vida? [Trecho da carta que Fernando escreveu a Ofélia após esta ter escrito uma carta de término]


De qualquer modo, foi uma leitura interessante, e, para quem admira o autor - assim como eu - certamente irá gostar e achar curioso que encontramos em "Cartas de Amor".      


Tudo o que sinto se concentra

Em te sentir 

A boca, o amor, o beijo que entra 

E sai a rir. 


Tudo o que quero se define 

Em sentir puro

Teu lábio contra os meus                   


Poema que achei muito fofinho, escrito em homenagem a Ofélia
                         

sábado, 1 de agosto de 2026

Dica de jogo: "Stardew Valley"

agosto 01, 2026 2 Comments


Oi, pessoal! Estou oficialmente de férias da faculdade, e durante esse período pretendo me dedicar mais ao blog - que anda um pouco de lado, eu admito. Porém, cá estou novamente! Para estrear esse período de férias aqui no Sementes Literárias, trago algo inédito no site: uma recomendação de videogame! Sempre trago algo além de livros aqui no blog (embora o que eu mais tenha lido esse ano sejam livros de Direito - e, não, não por diversão e livre e espontânea vontade ≧ ﹏ ≦), porém nunca tinha falado de videogames aqui. No momento, entretanto, estou verdadeiramente viciada por um jogo de fazendinha, que há anos eu queria jogar (realidade que só se concretizou recentemente, há uns 2 meses): Stardew Valley! A comunidade de fãs desse jogo é realmente grande, e acho que já posso dizer que entrei nessa lista. E não é por menos, pois este é um jogo bastante divertido, aconchegante e relaxante, então considero uma boa recomendá-lo aqui no Sementes ;)


Inspirado em jogos clássicos de fazendinha - como "Haverst Moon", que já joguei muito (a versão Back to Nature, no caso, embora nunca tivesse passado do ano 1 e sempre acabasse reiniciando o jogo após longos períodos sem jogar kkkk), "Stardew Valley" expande esse universo e agrega bastante ao trazer uma proposta que, embora não seja inovadora, funciona muito bem e cativa com sua história aconchegante e com seus personagens variados e adoráveis. 


Nesse sentido, "Stardew Valley" acompanha o(a) protagonista (nosso futuro fazendeiro ou fazendeira), que recebeu uma carta de seu avô antes que ele viesse a falecer, informando que esta só deveria ser aberta quando nosso(a) bonequinho(a) (no meu caso, bonequinha, e eu coloquei o nome dela de "Ritinha" - por que será? Hahahaha) se sentisse perdido(a) na vida e sem propósito. Trabalhando na corporação Joja, e se sentindo drenado(a) e sem rumo, o(a) bonequinho(a) abre a carta e descobre que herdou a fazenda de seu avô na Vila dos Pelicanos, e, buscando uma oportunidade para recomeçar, se muda para lá e passa a cuidar da fazenda. É aí que o jogo realmente começa.  


Podemos escolher entre uma variedade de mapas de fazenda no começo do jogo, mas eu escolhi a padrão mesmo (principalmente porque nunca tinha jogado "Stardew Valley"). Na fazendinha, podemos obter recursos (como madeira e pedras, essenciais para construção), plantar uma variedade de coisas ao longo das estações, criar animais (como gatinhos, galinhas, vacas e cavalo) e vender nossos produtos. Além disso, ao longo do mapa, também podemos explorar rios, mares e lagos a fim de pescar (e eu gosto muito de pescar no jogo, acho bem relaxante hehehe) , explorar as minas para obter minérios e recursos (como cobre e ouro) essenciais na melhoria de ferramentas e na construção de itens do jogo e coletar os recursos da estação para vender, dar de presente ou guardar. Mas, é claro, não é só de trabalho que vivemos! Também podemos fazer amizade com os aldeões, conversando com eles e dando-lhes presentes - mas cuidado: cada aldeão pode amar, gostar, não gostar ou, até mesmo, odiar um presente, dependendo do que você der (e isso afeta o desenvolvimento da amizade). Podemos também comprar itens no armazém do Pierre (ou no mercado Joja...)., ir ao médico, realizar missões para ajudar os aldeões, se reunir com os outros no Saloon, ajudar a reconstruir o acervo de artefatos do Museu e a coleção de livros da biblioteca, visitar os aldeões em suas casas, casar e ter filhos, cozinhar, participar das festividades da Vila, etc etc. Há realmente muita coisa a ser feita!  E, quanto mais você joga e explora o jogo, mais coisas vão sendo desbloqueadas, como lugares no próprio mapa, possibilidade de fabricação de coisas que ajudam na gestão da fazenda, cut scenes fofinhas, e muito mais! 


Eu pescando no festival da lula, durante o inverno. Estava nevando!


Ademais, é importante dizer que a Vila dos Pelicanos possui uma série de reformas a serem feitas, como um ônibus quebrado que dá acesso ao Deserto do Cálico (um lugar que fica bloqueado até que você conserte o ônibus) e outras restaurações, como uma estufa destruída na sua própria fazenda. Tais coisas (e outras) são restauradas a partir da conclusão de salas no Centro Comunitário (ou, se você preferir, a partir de uma associação ao Mercado Joja para que a empresa realize estas coisas. Mas eu não tomei esse caminho). Nesse aspecto, o Centro Comunitário é um lugar abandonado há muito tempo, onde vivem serezinhos mágicos (os Junimos) que vão te ajudar a reconstruir o local e a restaurar a cidade. No entanto, para que isso aconteça, você precisa ceder itens ao Centro. Tais itens variam de acordo com o conjunto e com a sala. Por exemplo: existe a sala do artesanato, que possui, por sua vez, vários conjuntos, como o conjunto "Recursos de Primavera" (a primeira estação do jogo, inclusive. Tais recursos são os itens de coleta encontrados ao longo do mapa, como alho-poró). Completando os conjuntos, você ganha recompensas, como: sementes, pratos de cozinha (como bolos de chocolate!), itens que vão te ajudar na manutenção da fazenda, etc. E, ao completar todos os conjuntos de uma sala, você também recebe uma recompensa e a aquela sala que foi completa é restaurada. Exemplo: no caso da sala de artesanato, a recompensa final é o reparo de uma ponte quebrada da cidade. Espero que tenha dado para compreender minha explicação, hihihi! 




Algo que eu acho legal em Stardew Valley é que não existe um "prazo" para você concluir o Centro Comunitário, nem atingir a "perfeição" no jogo. Quando você atinge a perfeição, pode-se dizer que o jogo foi "concluído", embora você possa continuar jogando. A definição da Wiki de Stardew Valley é essa: "A Perfeição é uma pontuação que mede quanto do conteúdo do jogo você completou. Alcançar a 100% de perfeição desbloqueia conteúdo de final de jogo extra". Para chegar nesse estado, é necessário uma série de coisas, como atingir o nível máximo de amizade com todos os aldeões. Mas o bom é que você não precisa ter pressa para fazer nada disso, e você consegue chegar lá aos poucos. Tem gente que em 3 anos (do tempo do jogo) consegue fazer tudo,  mas já soube de gente que levou 9. Bom, isso não importa. Você leva o seu tempo e acabou. 


Além de tudo isso, ainda dá pra jogar multijogador! Eu tenho duas fazendinhas (ou seja, dois saves diferentes): uma que eu administro sozinha, que é a minha fazenda principal (e já estou no inverno do ano 1! Em breve entro no ano 2) e outra que eu compartilho com meu namorado para administramos a fazenda juntos. Para mais detalhes sobre esse modo de jogo, vou colocar o link da Wiki de Stardew Valley sobre o assunto: https://pt.stardewvalleywiki.com/Multijogador


Enfim, é um jogo que recomendo bastante (e ainda tenho muita coisa pra vivenciar nele 😄)! E o melhor é que ele é bem acessível (eu comprei por 12 reais numa promoção da Steam, mas o preço normal é R$24,99) e roda em laptops da Xuxa - então você não precisa ter um PC gamer pra jogá-lo! 

Mais fotinhas <3 

Eu só tenho prints do inverno porque, como mencionei aqui na postagem, é a estação na qual me encontro atualmente! Por isso, para mostrar o jogo em outras estações, peguei algumas fotos da internet também :)

Minha fazenda durante o inverno! Há mais opções de plantações nas outras estações, mas dá pra plantar umas plantas selvagens nesse período ;) 

Minhas galinhas! Tenho que alimentá-las todos os dias com feno, dar carinho e coletar seus ovos. Os nomes delas são Gerusa, Gertrude, Lucy e Charlie Brown

Meu lucro nesse dia (13 do inverno) foi o meu maior até agora, tudo graças ao festival da lula e as suas recompensas! 

Uma fazenda durante a primavera, cujo print encontrei no site Tech Tudo. Minha fazenda não é arrumadinha assim, não, mas é funcional kkkkk 

 Festival da Feira do  Vale do Orvalho, que ocorre no centro da cidade durante o outono. Peguei esse print no Stardew Valley Wiki

Na entrada do Armazém do Pierre, onde dá pra comprar vários itens pra fazenda, encontram-se um calendário com os aniversariantes da estação e as festividades desse período e, ao seu lado, um mural com pedidos que, ao serem completados, fornecem recompensas ao jogador. Créditos do print: Stardew Valley Wiki


Aqui são as minas! Esse é o andar 56, de um total de 120! Eu consegui chegar até o 100, mas em breve alcanço o último hihihi Lá, coletamos pedras, minerais e recursos importantes, além de derrotar monstros. Créditos do print: Site Aficionados 

Por hoje é só, pessoal! 🌸

Acredito que daqui pra frente vou recomendar mais joguinhos aqui no Sementes Literárias :) Espero que gostem!! 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

"Monster" é um dos melhores animes que já assisti

maio 06, 2026 0 Comments

MONSTER
Elenco Principal:
 Hidenobu Kiuchi, Nozomu Sasaki, Mamiko Noto, Tsutomu Isobe, Mami Koyama
Ano: 2004
Número de episódios: 74
Nota: 5/5 ⭐
Onde assistir: Netflix
 

Ontem terminei de assistir a "Monster", anime de suspense lançado em 2004 e bastante consagrado, baseado na obra de Naoki Urasawa. É realmente uma história muito interessante, que intriga o telespectador a cada episódio assistido em razão de sua trama complexa e de seus personagens bem desenvolvidos. Cheio de reviravoltas, com uma ambientação soturna e com um enredo intrigante e viciante, "Monster" se tornou um dos melhores  animes que já assisti e, por isso, quis falar um pouco sobre ele aqui no Sementes Literárias. 


Nesse sentido, o enredo acompanha o médico japonês Kenzo Temna, um neurocirurgião de sucesso e com um futuro bastante promissor, residente na Alemanha Ocidental. Entretanto, em 1986, sua vida vira de cabeça para baixo quando gêmeos chegam ao hospital: uma menina em completo estado de choque e um garotinho com uma bala na cabeça. Tenma, por razões éticas, decide salvar a vida do garotinho em vez da vida do prefeito, que só havia chegado ao hospital depois do garoto, descumprindo ordens de seu diretor. Após esse fato, Tenma vira persona non grata no seu ambiente de trabalho, perdendo seu cargo e sendo moralmente perseguido por seu chefe, além de a filha do diretor do hospital ter terminado seu noivado com ele. Entretanto, quando o diretor e mais alguns médicos aparecem mortos misteriosamente, as suspeitas recaem logo sobre Tenma e um detetive o põe em sua mira. O tempo passa, e Tenma recupera seu cargo e é promovido dentro do hospital, retomando sua vida normalmente. Mas, 9 anos depois do dia em que os gêmeos chegaram ao hospital, um paciente salvo por Tenma é assassinado na sua frente pelo mesmo garoto que um dia ele salvou, Johan. Ele foi o verdadeiro responsável pelas mortes ocorridas anos antes, e por inúmeros outros assassinatos que aconteceram desde então. Com isso, Tenma está decidido a tirar a vida de Johan e acabar com as tragédias causadas por ele, enquanto o próprio médico é perseguido pela polícia e tido como principal suspeito dos casos. Todavia, tal decisão acende nele um conflito moral que permeia toda a narrativa: ele possui, realmente, o direito de tirar a vida de alguém, por mais monstruosa que essa pessoa seja? E ainda há um agravante: sua missão, como médico, é proteger a vida, então ele estaria mesmo disposto a contrariar sua crença inabalável e o juramento ético que ele fez?


"Você pode começar de novo. Não é tarde demais"

Assim, ao longo de 74 episódios, somos apresentados a diversos personagens complexos, - pois "Monster" não foca apenas em seu protagonista - enquanto o anime levanta uma série de questionamentos acerca de senso de moralidade e de eticidade, o valor da vida, a construção de nossa identidade, entre outras questões. É interessante, também, o contraste entre Tenma e Johan, assim como entre Johan e sua irmã, Nina. Tenma escolhe a gentileza, acredita no lado bom da humanidade e tem uma ética realmente admirável. Acredito que todo médico deveria se inspirar nele, pois ele cumpre seu propósito com uma perseverança e com uma determinação encantadoras. Por outro lado, para Johan, nada tem valor (nem ele mesmo), brincando com o destino e com as vidas das pessoas como se de nada valessem. A vida não possui sentido, nem propósito, então Johan não se preocupa em destruir o que bem entender, em apagar o que lhe convém. Nina, por sua vez, adota uma postura semelhante à de Tenma, mesmo que tivesse um passado semelhante ao de Johan. 


"A única coisa na qual os humanos são iguais é a morte"


Além dos fatos que mencionei, muita coisa aconteceu, mas irei me abster de comentá-las para não dar spoilers, pois é o tipo de série com muitas reviravoltas e revelações, e perdi as contas de quantas vezes me peguei boquiaberta assistindo. Recomendo muito para aqueles que buscam uma série intrigante e muito bem escrita para assistir, para aqueles que gostam de suspense e de uma produção com um rico pano de fundo histórico!

Por fim, eis a abertura do anime, que eu acho muito massa:



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Resenha: "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector

abril 29, 2026 0 Comments
A HORA DA ESTRELA
Autora:
 Clarice Lispector 
Número de páginas: 88 (incluindo posfácio sobre a autora e sobre a obra)
Editora: Rocco
Nota: 4/5⭐️

 

Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?

 

Oi, pessoal! Quanto tempo não apareço por aqui, não é? Mas voltei, trazendo a resenha de "A Hora da Estrela", primeiro livro que leio de Clarice Lispector! Assisti ao filme em dezembro do ano passado, então já sabia de algumas coisas do enredo, e creio que tenha sido uma boa adaptação.  


Nesse sentido, a história é narrada por Rodrigo S.M, que certa vez viu, nas ruas do Rio de Janeiro, de relance, "o sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina", e, a partir disso, desenvolve a sua história, dizendo que ela é "verdadeira, embora inventada". 


Assim nasce Macabéa, uma jovem de 19 anos, datilógrafa, oriunda do sertão de Alagoas e que fora ao Rio de Janeiro para "tentar a vida". Morava em um quarto compartilhado com outras quatro moças, e tinha a vida extremamente simples. Era uma menina ingênua e passiva, vista como insignificante aos olhos da sociedade e até pelos seus próprios olhos. Não levava jeito para a datilografia, era raquítica de corpo, não tinha grandes ambições na vida, teve uma infância difícil sendo maltratada pela tia que a criou, foi trocada por seu namorado, Olímpico, pela sua "amiga" de trabalho, e aceitava passivamente a própria condição. Talvez por não saber que era uma vida difícil. Talvez por não acreditar que merecesse algo melhor. Talvez porque acreditasse que, se a vida lhe impôs tal condição, devesse ser assim. E imersa em sua ingenuidade, ia levando os dias, acompanhando o que passava na Rádio Relógio, fazendo coleção de anúncios de jornal, tomando um gole frio de café antes de adormecer, entre outras pequenas singelezas que a consolavam e que a faziam crer que levava uma vida feliz. 


Mas Macabéa não se preocupava com próprio futuro: ter futuro era luxo. Ouvira na Rádio Relógio que havia sete bilhões de pessoas no mundo. Ela se sentia perdida. Mas com a tendência que tinha para ser feliz logo se consolou: havia sete bilhões de pessoas para ajudá-la. 




A escrita de Clarice é permeada por vários momentos de reflexão existencialista, notoriamente de interrupções narrativas e reflexivas feitas pelo autor de Macabéa. Em diversos momentos, Rodrigo S.M pondera a respeito de si mesmo e a respeito de sua protagonista e sobre os outros personagens (que são poucos), fazendo reflexões que impactam aquele que o lê. 


[...]  É que desde menino não passava de um coração solitário pulsando com dificuldade no espaço. [sobre Olímpico]


Aliás, não senti dificuldade com a linguagem, e gostei do ar introspectivo que rodeia as páginas da obra, que soa como prosa poética. Clarice escreve bonito. Um exemplo foi quando a personagem pede uma aspirina para sua colega de trabalho, Glória, e a colega lhe pergunta por que ela sempre pede tanta aspirina. A protagonista, então, lhe responde: "É  para eu não me doer", e, ao ser solicitada explicações, diz "Eu me doo o tempo inteiro". Um jogo de palavras entre dor e doar-se, muito bem feito e bem colocado, visto que a personagem, em sua ingenuidade, doava-se àqueles por quem nutria afeto, como o caso de Olímpico, que a trocou por Glória. Portanto, repito: Clarice escreve bonito, e eu gosto de quem escreve bonito. Em certos momentos da narrativa, inclusive, o estilo de escrita de Clarice me lembrou do de Hermann Hesse, embora com óbvias particularidades, é claro. 


[...] Vivemos exclusivamente no presente pois sempre e eternamente é o dia de hoje e o de amanhã será um hoje, e a eternidade é o estado das coisas neste momento. 


Portanto, "A Hora da Estrela" está recomendado para aqueles que desejam iniciar no universo de Lispector e que buscam uma narrativa reflexiva acerca da nossa própria existência e da realidade social do Brasil. Afinal, como bem pontua Rodrigo S.M no início da obra, "Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhado até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?"


"A vida é um soco no estômago". 



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sobre o álbum "For Lovers", da banda Lamp

fevereiro 19, 2026 0 Comments
FOR LOVERS
Banda:
 Lamp
Data de lançamento: 11 de fevereiro de 2004
Duração: 33 minutos

Oi, pessoal! Esta é a primeira postagem do ano hahaha Fim de período deixa o tempo bem escasso, mas, assim que minhas férias chegarem, me dedicarei mais aqui no blog :) Enfim!

A última vez que tinha falado sobre um álbum aqui no Sementes Literárias havia sido em 2022, em ocasião do lançamento do "The Car", sétimo álbum do Arctic Monkeys. No entanto, há muitos outros álbuns que gosto de escutar, de outros artistas. Então, uns dois meses atrás, descobri um ábum muito bom que escuto com frequência até hoje: "For Lovers", da banda japonesa independente Lamp. Lançado em 2004, contendo apenas 8 músicas e somando um total de 33 minutos, o álbum é bem rapidinho de se escutar e passa uma sensação bastante aconchegante. É como se fosse, simultaneamente, um dia levemente chuvoso e um dia levemente ensolarado, como se fosse uma brisa marítima no fim da tarde. 


É difícil definir o estilo das músicas. São calmas, sutis, e bebem da fonte de jazz e de bossa-nova. Gosto bastante! As letras também são adoráveis, e gosto da forma como o ambiente e as sensações são descritas nas canções. Talvez já tenha mencionado isso aqui no blog, mas gosto muito de letras que contam uma história, descrevem um pequeno-grande momento, têm ares de poesia, capturam a beleza de um breve instante. Para minha felicidade, as músicas de Lamp são exatamente assim! E o título do álbum, "For Lovers" ("Para Amantes", em português) diz muito sobre o que será encontrado ali. O amor é descrito de forma singela e suave, seja na descrição de suas possibilidades, de um momento eternamente gravado na memória, de um sentimento que cresce a cada dia, de um amor que terminou, de um amor que floresceu. Obviamente não falo japonês (quem me dera hahaha), mas fui atrás das traduções. Você consegue encontrar no site do Genius, clicando aqui no link: https://genius.com/albums/Lamp/For-lovers


Uma carta de amor escrita em um suspiro, em uma janela enevoada

Pouco a pouco, pouco a pouco, eu me apaixono por você

Fecho meus olhos para o cheiro da meia-noite e para o suave som da chuva (Rainy Tapestry)


Minhas canções favoritas são "For Lovers", que me introduziu ao álbum (e que me fez escutar outras canções da banda, que já tinha ouvido falar. Também já conhecia uma música deles, mas que não ligava muito), "Behind The Moon Shadow" e "HIGARU-NAMIDA" - não necessariamente em ordem hahaha! Mas gosto de todas, e esse meu pódio poderá mudar em breve. 


De mãos dadas e olhando para as estrelas, somos só eu e você em um voo noturno (Last Train At 25 O' Clock)


Desse modo, "For Lovers" é uma ótima pedida para quem busca um álbum leve e introspectivo, que soe como um abraço quentinho, com um som bonito e com letras igualmente belas e poéticas. Se gostarem e quiserem, confiram também as músicas de outros álbuns, pois a banda é realmente muito boa! Uma das minhas recentes obsessões musicais hahaha! :) 

Dito isso, irei colocar aqui embaixo o cardzinho do Spotify, contendo todas as canções (inclusive aquelas que não mencionei aqui) ❤


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Retrospectiva literária 2025 :)

dezembro 31, 2025 0 Comments


Finalizando o ano, eis aqui mais uma tradicional retrospectiva literária =)! Este ano li bastante, bem mais do que nos anos anteriores. Para ser sincera, não me importo em ler uma grande quantidade de livros, na realidade, e sim com o que estou lendo, no quanto estes livros me acrescentaram e o quanto eles foram bons - pelo menos em minha perspectiva. Para a minha felicidade - e isto, sim, é o que realmente importa para mim - os livros que li, em sua maioria (assim como nos anos anteriores), foram muito bem aproveitados! Saí da minha zona de conforto e desmistifiquei mitos que carregava comigo com relação a clássicos, além de ter lido livros de diversos gêneros: romance, poesia, autobiografia, distopia, entre outros. 

Dito isso, espero que ano que vem leia livros tão bons e marcantes quanto as leituras que fiz em 2025. Se for mais ou menos, não importa - e por isso não estabeleço metas quantitativas há anos. A única meta é ler e aproveitar as leituras feitas :) 

Bom, vamos à listinha - na ordem! Lembrando que, para todos os livros lidos, escrevi resenhas que você encontra aqui no Sementes Literárias. Em minhas leituras favoritas, coloquei um coraçãozinho ao lado. Ahh, e também contabilizei os mangás que li na lista. 

  1. A Livraria dos Achados e Perdidos - Susan Wiggs
  2. Mais ou Menos 9 horas - Vitor Martins
  3. Poemas - Wisława Szymborska ❤
  4. Perfect World (Volume 2) - Rie Aruga
  5. Eu me lembro - Selton Mello ❤
  6. Na última vaga - Kleiton Ferreira 
  7. Perfect World (Volume 3) - Rie Aruga
  8. Júbilo, memória, noviciado da paixão - Hilda Hilst 
  9. A Bolsa Amarela - Lygia Bojunga 
  10. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói ❤
  11. O menino maluquinho - Ziraldo ❤
  12. O Diário da princesa (Volume 1) - Meg Cabot 
  13. Vou te receitar um gato - Syou Ishida 
  14. Joy (Volume 1) - Etsuko
  15. Auto da Compadecida - Ariano Suassuna 
  16. Poemas de Alberto Caeiro - Fernando Pessoa ❤
  17. Verônica e os pinguins - Hazel Prior 
  18. O Louco/ O Mensageiro / O Andarilho - Khalil Gibran
  19. Cartas para minha avó - Djamila Ribeiro
  20. O veleiro de cristal - José Mauro de Vasconcelos 
  21. Quatro titias e um casamento - Jesse Q. Sutanto 
  22. Perguntaram-me se acredito em Deus - Rubem Alves
  23. O curioso caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald 
  24. Cecília Meireles: Antologia Poética - Cecília Meireles
  25. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde ❤
  26. Demian - Hermann Hesse ❤
  27. Perfect World (Volume 4) -  Rie Aruga 
  28. Antologia Poética - Anna Akhmátova
  29. Nana (Volume 1) - Ai Yazawa 
  30. Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley (Meu livro favorito do ano!) ❤

Que 2026 seja um ano de boas surpresas, recheado de felicidades, de saúde e de paz ❤ Que nos traga bons livros e boas descobertas a serem feitas! Obrigada por terem acompanhado o Sementes Literárias em 2025! Até o ano que vem hahaha ✨


Retrospectiva cinematográfica 2025 :)

dezembro 31, 2025 0 Comments


Oi, pessoal! Além da retrospectiva literária, também trago, tradicionalmente e religiosamente em todos os finais de ano, a retrospectiva cinematográfica, reunindo todos os filmes que eu vi! Assisti a mais filmes do que no ano passado, o que faz bastante sentido, tendo em vista que em 2024 eu tive que estudar para o ENEM e que esse ano, embora tomada pelas atividades da faculdade, estive bem mais livre! 

Em 2025, fui ao cinema sozinha pela primeira vez (em setembro), para assistir "A Viagem de Chihiro" pelo Ghibli Fest ;) Foi uma experiência bem normal, para ser sincera hahaha! Creio que as pessoas transformam o ato de ir sozinho ao cinema em algo maior do que realmente é. Não me senti "solitária", nem envergonhada por estar só, mas também não experienciei uma grande liberdade de estar apenas em minha companhia. Foi... ok! O lado bom é que não dependi da disponibilidade e da vontade alheia de ver o filme. E, sobre o filme em si, foi bem legal! Gostei mais do que da primeira vez que o vi, e pude aproveitá-lo melhor. Assisti-lo na tela grande foi massa. E ainda vi de novo (foi o único filme que vi mais de uma vez em 2025) em dezembro, no revival do Ghibli Fest que teve no Cinemark, dessa vez na companhia de meus amigos do colégio. Além de "A Viagem de Chihiro", também vi "O Agente Secreto" sozinha no cinema, e gostei muito. Wagner Moura tá uma charme com aquela caracterização hehehe

Enfimm! Ao todo, vi 70 filmes este ano. Alguns foram revisitados, outros foram vistos pela primeira vez... Assim, irei colocar a listinha dos filmes que vi (na ordem!) logo abaixo deste parágrafo, ao lado de suas respectivas notas. Em meus favoritos, coloquei também um coração ao lado! Ah, lembrando que você também pode acessar à listinha, com comentários nos registros de alguns filmes, lá no meu Letterboxd: @mariaritamd. E, além disso, também falei aqui no Sementes Literárias sobre alguns dos filmes citados ;)

  1. Todas as mulheres do mundo - 4/5 ⭐
  2. Anora - 4/5 ⭐
  3. Com amor, Van Gogh - 4,2/5 ⭐❤
  4. Challengers (Rivais) - 4,3/5⭐❤
  5. Robô Selvagem - 4,3/5 ⭐
  6. O homem que copiava - 3,5/5 ⭐
  7. Chico Bento e a goiabeira maraviosa - 4/5 ⭐
  8. Saudade fez morada aqui dentro - 4,7/5 ⭐❤
  9. Avenida Beira-mar - 3/5 ⭐
  10. A verdadeira dor - 3,3/5 ⭐
  11. Antes do Amanhecer - 5/5 ⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/04/sobre-a-trilogia-do-antes.html
  12. Antes do Pôr-do-sol - 4,8/5 ⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/04/sobre-a-trilogia-do-antes.html
  13. Antes da Meia-noite - 4,7/5 ⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/04/sobre-a-trilogia-do-antes.html
  14. Como ganhar milhões antes que a vovó morra - 4,7/5⭐ ❤
  15. Um garoto chamado Charlie Brown - 3,5/5 ⭐
  16. Jogo de cena - 5/5 ⭐❤
  17. Conclave - 4,7/5 ⭐❤
  18. 101 dálmatas - 3,3/5 ⭐
  19. Amor à segunda vista - 3/5 ⭐
  20. Habemus Papam - 3/5 ⭐
  21. Reaprendendo a amar - 3,3/5 ⭐
  22. Retrato de uma jovem em chamas - 4,7/5 ⭐❤
  23. Tudo em família -3/5 ⭐
  24. Scooby-Doo: O filme - 3,5/5 ⭐
  25. Cowboy Bebop: O filme - 3,5/5 ⭐
  26. Rita Lee: Mania de você - 3,2/5 ⭐
  27. Casa comigo? - 2,5/5 ⭐
  28. Amor e outras drogas - 3,5/5 ⭐
  29. Bingo: o rei das manhãs - 4/5 ⭐
  30. Ratatouille - 4/5 ⭐
  31. Pateta: O filme - 3,3/5 ⭐
  32. O filho da noiva - 3,5/5 ⭐
  33. Deus é brasileiro - 2,5/5 ⭐
  34. Menina dos olhos - 3,5/5 ⭐
  35. Como treinar seu dragão (live-action) - 3,5/5 ⭐
  36. Tributo: Manoel Carlos - 4/5 ⭐
  37. Edifício Master - 4,8/5 ⭐
  38. As Canções - 5/5 ⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/06/alguma-cancao-ja-marcou-sua-vida.html)
  39. Empire Records - 1,8/5⭐
  40. Frantz - 4,7/5⭐❤
  41. Viajo porque preciso, volto porque te amo - 3/5⭐
  42. Santo forte - 4/5⭐
  43. Separados pelas estrelas - 4,8/5⭐❤
  44. Meu ano em Oxford - 2,3/5⭐
  45. Zuzu Angel - 4/5⭐
  46. Dirty Dancing - 3,4/5⭐
  47. As pontes de Madison - 4,2/5⭐
  48. Bridget Jones: louca pelo garoto - 2,3/5⭐
  49. A arte de correr na chuva - 3/5⭐
  50. O Fantástico Senhor Raposo - 4,7/5⭐❤
  51. Wyken, Blyken e Nod - 3/5⭐
  52. O Grande Hotel Budapeste - 4,7/5⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/09/sobre-o-grande-hotel-budapeste.html)
  53.  Os Sonhadores - 1/5⭐ (e 1 estrela talvez ainda seja muito)
  54. Meu amigo Totoro - 3,7/5⭐
  55. Hayao Miyazaki e a Garça - 3,8/5⭐
  56. Orgulho e Preconceito - 3,8/5⭐
  57. A Viagem de Chihiro - 4,3/5⭐
  58. Perfect Days - 2,5/5⭐
  59. Outono em Nova Iorque - 2,8/5⭐
  60. Parafuso - 3,5/5⭐
  61. The End of Evangelion - 4,8/5⭐❤ (Post: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/10/pensamentos-em-torno-de-evangelion.html)
  62. Isle of Dogs - 4/5⭐
  63. Legalmente Loira - 3,5/5⭐
  64. O Agente Secreto - 4,5/5⭐
  65. O filho de mil homens - 2,3/5⭐
  66. Zootopia 2 - 3/5⭐
  67. A Viagem de Chihiro (mais uma vez! hahaha) - 4,3/5⭐
  68. O Reino dos Sonhos e da Loucura - 3,7/5⭐
  69. Os Excêntricos Tenenbaums - 2,8/5⭐
  70. Os Rejeitados - 5/5⭐❤ (Falei um pouco aqui: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2025/12/filminhos-de-natal-que-eu-gosto.html)
  71. A Hora da Estrela - 3,5/5⭐

E é isso! Que 2026 nos reserve muitos bons filmes ;) Feliz Ano-Novo, pessoal!!



domingo, 28 de dezembro de 2025

Resenha: "Admirável Mundo Novo"

dezembro 28, 2025 0 Comments
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Autor:
 Aldous Huxley
Editora: Biblioteca Azul
Número de páginas: 312
Nota: 5/5⭐❤


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de "Admirável Mundo Novo", primeiro livro de ficção científica que leio e uma das principais distopias já escritas, do inglês Aldous Huxley. Comprei lá no FASC (Festival de Artes de São Cristóvão), no estandezinho do Sebo do Silva (que também tem na UFS), por um preço bom e em um estado super conservado - sério, parece novinho em folha! Além disso, era um livro que estava na minha lista há um tempinho, então foi ótimo encontrá-lo à venda (e, devo dizer, ele não me decepcionou nem um pouco - muito pelo contrário!). Pouco sabia da história, apenas que era uma distopia e que havia uma droga relevante na narrativa chamada "soma" (por causa da música dos Strokes, claro KKKKK E é muito legal reescutar a música agora depois de ter lido o livro, pois percebo melhor como ela se encaixa à narrativa!!). E só sabia disso. Então, para mim, foi uma experiência surpreendente e diferente de tudo o que li antes, e creio que tenha sido o livro que mais gostei de ler esse ano. Pelo menos, certamente, um dos que mais gostei. 


- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.


"Admirável Mundo Novo", como mencionei antes, é uma distopia, e foi publicada em 1932. Sua narrativa acompanha uma realidade futurística em que a passagem de tempo é medida pela existência de Henry Ford - sim, o cara da linha de produção, dos carros e de tudo o mais - na Terra (e não pela existência de Cristo, como fazemos atualmente). Assim, o livro se passa no ano 632 depois de Ford, e a sociedade é extremamente desenvolvida em termos tecnológicos, sendo dividida em castas e possuindo uma série de outras particularidades que irei detalhar melhor. 


Uma dessas particularidades diz respeito justamente à "fabricação" de seres humanos, tarefa realizada em verdadeiras linhas de montagem e com uma série de interferências científicas. Isto porque, como falei anteriormente, a sociedade é dividida em castas: Alpha, Beta, Gama, Delta e Ípsilon, respectivamente, da mais privilegiada até a base social. Desse modo, cada indivíduo é "produzido" de acordo com a casta a qual ele pertence, fazendo com que eles apresentem diferenças físicas (como o tamanho) e mentais, a partir da manipulação biológica. Posteriormente, quando o indivíduo é decantado (pois não há mais nascimentos), ele passa a infância e a adolescência sendo psicologicamente condicionado para adotar determinados comportamentos e pensar de determinada forma, sendo usada, para isso, algumas técnicas, como hipnopedia - ou seja, a aprendizagem pelo sono, em que são repetidas frases durante anos e anos enquanto a pessoa dorme, para que ela absorva tais informações inconscientemente e as reproduza como se fossem verdades absolutas. Como o Administrador do "Admirável Mundo Novo" mesmo disse, "Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas".


Sessenta e duas mil repetições fazem uma verdade.


Além disso, há também a soma, droga cujo uso é constantemente incentivado, e que permite ao ser humano desvincular-se de sua própria realidade e parar, pelo menos enquanto seu efeito durar, de ter "emoções negativas" - ou, simplesmente, tudo aquilo que não seja felicidade ou excitação. É uma felicidade fabricada e falsa, um escapismo encapsulado de uso universalizado. Ademais, a sociedade também é pautada no consumismo, na hiperestimulação dos sentidos, na padronização dos seres humanos - condenando-se, aliás, a individualidade - e em relações vazias e efêmeras, uma vez que tudo aquilo que é duradouro e intenso é abominado em nome da "estabilidade" social.  Inclusive, os valores morais incentivam a constante prática de sexo (e o contrário disso seria imoral), o culto à figura de Ford, o consumo de soma, etc. As religiões, os museus, a literatura mais antiga e crítica, pais e mães - tudo isto foi abolido. Existe, porém uma Reserva Selvagem, local que não foi alcançado pela "civilização". Lá ainda existe religião, pai e mãe, monogamia, etc. Entretanto, é um ambiente extremamente violento e longe de ser um ideal a ser alcançado. 


Nesse contexto da narrativa, nós podemos acompanhar alguns personagens de relevância na história, destacando-se Bernard Marx, um Alpha de estatura mais baixa do que o usual e que não se encaixa, Lenina Crowne, uma Beta que está saindo com Bernard e que constantemente reproduz os conceitos daquele "Admirável Mundo Novo", e John, filho de uma Beta e que cresceu numa Reserva Selvagem, sendo muito excluído naquele ambiente, todavia. Dessa maneira, através especialmente desses três personagens, vamos descobrindo mais sobre aquela estranha sociedade, a partir de seus pensamentos, comportamentos, questionamentos... 

Algo que achei bastante curioso na obra é como Bernard, ao conhecer John e sua mãe, decide levá-los para a sociedade "civilizada" a fim de obter status e o reconhecimento que lhe fora negado e, uma vez tendo alcançado essas coisas, reproduz os mesmos comportamentos que antes abominava e criticava. Outrossim, o contato de John com aquela sociedade também é interessante de se observar, pois tudo aquilo lhe causa profunda estranheza e repugnância, gerando diversos momentos de choque entre aquele mundo e o personagem. 



Com relação à nossa própria sociedade, há de se observar semelhanças - infelizmente - com a que é detalhada na obra. A começar pelo óbvio: o consumismo. E é muito difícil escapar dele, porque, embora não tenhamos condicionamentos hipnopédicos tal como ocorre no livro, somos inundados por propaganda por todos os lados, dizendo-nos que devemos comprar isso e aquilo, cultivando em nós o sentimento de necessidade e de consumo sem um propósito real - a não ser o próprio consumo em si, e talvez o desejo de pertencer. Nesse cenário, há uma homogeneização da população, pois é incentivado o consumo das mesmas coisas, em todos os âmbitos (as mesmas músicas, os mesmos filmes, os mesmos produtos...) e é incentivada, a adoção dos mesmos comportamentos, do mesmo modo de pensar. Também nos deparamos com dinâmicas de relacionamentos cada vez mais efêmeras e utilitárias, com pessoas pulando de relação em relação com a facilidade e com o pesar com que se troca de roupa. Mas Bauman já falou melhor sobre isso do que eu, e tem uma obra dedicada inteiramente a essa questão - "Amor Líquido", que eu adquiri no ano passado e que só cheguei perto da metade, mas que tentarei fazer a leitura novamente em um futuro próximo. E a "soma"? O que é, senão, uma anestesia emocional? Tão buscada hoje em dia - e talvez, desde sempre - em escapismos simples e fáceis como nas redes sociais, onde ficamos tão imersos que chega a um ponto de estarmos perdidos ali, desconectados do que ocorre ao redor, inertes. 


A  felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento.


"Admirável Mundo Novo" foi lançado há quase 100 anos, mas permanece surpreendentemente atual. É impactante, criativo e muitíssimo bem escrito! Li algumas resenhas aqui na internet que diziam que a escrita da obra é "confusa", porque, em alguns momentos (e isso acontece com certa frequência ao longo do livro), o foco narrativo se alterna sem aviso prévio, de um parágrafo para outro. Isso é feito com mais ênfase e frenesi no final do terceiro capítulo, mas eu gostei desse efeito estilístico porque me lembrou um filme com cenas freneticamente alternadas hahaha! E, para ser sincera, não acho que isso torne a leitura difícil. Pelo contrário, achei a leitura bem tranquila em termos de escrita e de linguagem!


O livro ainda conta com um prefácio escrito pelo próprio autor em 1946, mas eu optei por ler ao final porque Aldou Huxley, dentre outras coisas, reflete sobre a própria obra e o que teria escrito de modo diferente - mas, quando tentei ler pela primeira vez, não estava entendendo direito porque, afinal, nem tinha iniciado o livro ainda! Então para mim foi mais proveitoso ler o prefácio quando eu terminei minha leitura da obra. Enfimm!


"Admirável Mundo Novo" é um livro muito bom e marcante, e recomendo bastante!!! Creio que acabou de se tornar um de meus favoritos!


- Prefiro ser eu mesmo - disse ele -; eu mesmo e desagradável. E não outro, por mais alegre que seja.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Filminhos de Natal que eu gosto :)

dezembro 22, 2025 0 Comments


Oi, pessoal! Estamos bem pertinho do Natal, e, pensando nisso, decidi trazer alguns filmes com temática natalina, ou que, pelo menos, se passam no Natal , e que eu gosto! :) 


1. OS REJEITADOS (2023)




Esse aqui eu considerei como um dos melhores filmes que vi no ano passado, surpreendendo-me positivamente! Vou colocar por aqui um trechinho da resenha que escrevi no Letterboxd, na época em que o assisti ;) 

"Os Rejeitados" é uma história bastante humana, acompanhando seus três protagonistas (um rígido professor de meia-idade, um adolescente problemático e uma cozinheira escolar que acabou de perder seu filho para a guerra) enquanto precisam passar o Natal e o Ano-Novo juntos na escola. Os três desenvolvem laços profundos e colaboram para o crescimento um do outro, o que é muito bonito de ver.

Gosto muito que vamos conhecendo os personagens à medida que eles mesmos conhecem uns aos outros, e os julgamentos criados a princípio (pelos próprios personagens e por nós, telespectadores) é aos poucos derrubado. Dessa forma, o longa-metragem nos recorda que cada um está fazendo o que pode, que cada um enfrenta seus próprios percalços, e, assim, ele assume uma faceta muito sensível e muito real. Nenhum personagem é perfeito - muito pelo contrário. O professo, por exemplo, é inicialmente apresentado como um verdadeiro carrasco sem coração e o aluno como um pé no saco impulsivo, mas por detrás de todas essas fachadas existem pessoas que travam suas próprias batalhas e que vão transformar as vidas uma da outras.

Dessa maneira, me conectei bastante com os três personagens, e foi fascinante conhecê-los melhor, com todas as suas imperfeições! Houve diversos momentos em que me emocionei, e por vezes escapava uma lagrimazinha, com um nó entalado na garganta. Entretanto, ao mesmo tempo em que o filme emociona, ele também diverte, com um humor sarcástico que confere um charme ainda maior ao longa.

Se você tiver interesse em ler à resenha completa, é só clicar aqui: https://letterboxd.com/mariaritamd/film/the-holdovers/
Pretendo assisti-lo novamente esse ano, pois é realmente muiiito bom e me deixou encantada!

2. O Natal do Charlie Brown (1965)



O segundo filme que gostaria de indicar é "O Natal do Charlie Brown", clássico curta-metragem da década de 60. Como já mencionei em diversos momentos aqui no Sementes Literárias, sou completamente apaixonada por Peanuts, e aqui nesse curta podemos acompanhar a adorável turminha em uma reflexão acerca desse período do ano. 

Charlie Brown, imerso em sua melancolia costumeira, não se sente feliz com a chegada do Natal e não entende qual é o significado da festividade, estando desgostoso com relação ao materialismo que invade esse momento, ao consumismo que desvirtua o que é, realmente, o Natal. Lucy, então, sugere que ele dirija a peça natalina da escola, e aí se desenrolam os acontecimentos do filme e as reflexões acerca do Natal e de seu verdadeiro espírito. 

É bem rapidinho de assistir e vale a pena! O curta ainda conta com uma trilha sonora regada a jazz - típica dos filmes de Peanuts, que tornam a experiência ainda melhor!

3. SIMPLESMENTE AMOR (2003)




O filme acompanha vários núcleos de pessoas durante o Natal e, como o nome sugere, também demonstra relações de afeto entre elas (em sua maioria românticas, sim, mas não apenas desse tipo). Entre as histórias, podemos acompanhar a de um primeiro-ministro que se apaixona por sua assessora, a de escritor que se apaixona por uma portuguesa e que se conectam apesar da barreira da língua, a de um cantor e seu empresário e amigo, a de um casal em decadência, a de um menininho que se apaixona por uma colega da escola e que conta com a ajuda de seu padrasto para lidar com o sentimento, etc. Eu considero este um filme bastante divertido e fofo, que ainda conta com Hugh Grant (meu divo, ok) e Rodrigo Santoro no elenco, além de vários outros nomes famosos, como Keira Knightley e Emma Thompson! 

4. O GRINCH (2000)



Clássico dessa época do ano, "O Grinch" é encantador e muitíssimo divertido, mostrando a história de uma criatura verde e rabugenta que odeia o Natal com todas as forças e que sofria preconceito daqueles ao seu redor, vivendo, então, isolado em uma montanha. Empenhado em estragar o Natal dos Quem, grupo de pessoas completamente apaixonadas pela festividade - e que o excluíam, entretanto-, Grinch se depara com uma garotinha chamada Cindy Lou, que o fará enxergar a beleza das festas de fim de ano e  mudará a sua perspectiva em torno do Natal. A interpretação de Jim Carrey, que faz o papel principal, é espetacular! Cheio de caras e bocas, é muito difícil não achar tudo simplesmente adorável. 

FILMES QUE JÁ TROUXE AQUI NO SEMENTES ANTES ;)

Para finalizar, citarei dois filmes que já trouxe aqui no blog. 

O primeiro deles é "Tudo Bem no Natal que vem", protagonizado por Leandro Hassum. Assisti  em 2020, e, no entanto, nunca revi! Por conta disso, não me lembro direito da história e também não sei se gostaria do mesmo modo se o assistisse hoje em dia - mas, de qualquer forma, eu achei muito legal e divertido quando o vi. Então fica aqui registrada a recomendação da Maria Rita de 14 anos hahaha!! Eis o link da postagem em que recomendo o filme: para acessar, basta clicar aqui ;)

Já o segundo filme que eu já falei por aqui, foi "Barbie em A Canção de Natal", releitura do clássico "Uma Canção de Natal", de Charles Dickens. Esse eu me lembro bem da história, até porque via sempre que estava perto do Natal quando eu era criança hahaha 
Falei sobre ele na primeira postagem que fiz dedicada à minha maratona de filmes da Barbie, realizada por mim em 2023, antes da estreia do live-action dirigido pela Greta Gerwing. Eis o link da postagem, em que eu falo sobre o enredo do longa e a minha opinião: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2023/07/maratona-de-filmes-da-barbie-1-barbie.html

Por hoje é só, pessoal :)

Obrigada por terem lido até aqui e, desde já, desejo um feliz Natal para todos nós!! 🌸🎄✨❤