domingo, 27 de fevereiro de 2022

Resenha: "Um Milhão de Finais Felizes"

fevereiro 27, 2022 0 Comments
UM MILHÃO DE FINAIS FELIZES
Autor:
 Vitor Martins
Editora: Globo Alt
Número de páginas: 352
Nota: 5/5⭐

Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de "Um Milhão de Finais Felizes", primeiro livro que li do Vitor Martins. Dei de Natal para uma amiga minha, e, quando ela terminou de ler, peguei emprestado hehehe 😄❤

A leitura é bastante agradável, e despertou diversos sentimentos em mim. Ri, torci muito pelo casal e pelo protagonista, senti um aperto no peito em diversos momentos... E eu adorei tudo isso! Quando eu terminei de ler o livro, ficava me lembrando dele em diversos momentos, e como essa sensação é boa... Certamente foi uma leitura que valeu muito a pena! 


"Um Milhão de Finais Felizes" acompanha Jonas, um jovem de 19\20 anos aspirante a escritor, sempre a anotar suas ideias em um caderninho que carrega no bolso, que trabalha em um café com tema espacial (o Rocket Café, que eu queria muito que existisse para poder visitar um dia!), é gay e está descobrindo quem é e o que deseja para a vida. Além disso, ele também precisa lidar com uma casa que já não é mais seu lar, onde ele convive com uma mãe amorosa, porém extremamente religiosa e com um pai completamente abusivo, havendo o sentimento de não pertencer à própria família. Existe também a questão da religião, que se torna um fator repressor em sua casa e gera diversos conflitos internos em Jonas, visto que ele cresceu em um ambiente que o ensinou que ser homossexual é um grande pecado e poderia fazer com que ele fosse ao inferno. Podemos acompanhar a relação de Jonas com seus amigos, Karina, Danilo e Isadora, algo bastante abordado no livro. A vontade que me deu foi de ser amiga de todos eles! Por fim, temos também Arthur, o "barba ruiva" que entrou um belo dia no Café e rapidamente chamou a atenção de Jonas. A relação dos dois se desenvolve de maneira muito natural e fofa (sério, eles são uma graça!!!).  Aliás, Arthur inspirou Jonas a escrever um livro baseado em um casal de piratas gays (porque a barba ruiva dava um ar de pirata a Arthur). Nós podemos, inclusive, ler os capítulos do livro em alguns momentos da história, o que é algo bem legal!



A obra fala muito sobre a questão do verdadeiro significado de família, deixando uma mensagem muito bonita sobre isso. A forma como a narrativa trata os dilemas de Jonas e a questão da homossexualidade é bastante realista, o que torna o livro ainda melhor! É fácil ser cativado pelos personagens e pela história, ambos encantadores. Além disso, a escrita de Vitor Martins é muito agradável e dinâmica, fator favorecido pelas diversas referências presentes ao longo da obra e que ajudam a aproximar o leitor da história. Gostei muito da referência à "When You Look Me In The Eyes", música dos Jonas Brothers que eu ouvia com mais frequência do que eu gostaria de admitir em 2019 hahaha Também gostei muito da referência à "Mensagem para Você", filme muito fofo que assisti em janeiro e que me fez ter vontade de abrir uma livraria. O livro também cita o Coldplay, não em um sentido exatamente positivo, mas eu relevo 😅 Além disso, a capa combina perfeitamente com o livro e com os personagens (note os bottons no avental holográfico de Jonas: são os personagens de "Piratas Gays", que Arthur desenhou e deu para ele!). 


Creio que seja fácil se identificar com a obra, porque "Um Milhão de Finais Felizes" é a história de alguém tentando encontrar seu lugar no mundo. Como todos nós. Recomendo muito!!! ❤


domingo, 20 de fevereiro de 2022

Resenha: "Anésia"

fevereiro 20, 2022 0 Comments
ANÉSIA
Autor:
 Will Leite
Editora: *Lançamento Independente 
Número de páginas: 126
Nota: 3,8/5 ⭐


Olá, pessoal! Hoje trago a resenha do livro "Anésia", que reúne algumas tirinhas da senhorinha ranzinza publicadas na internet e uma história em quadrinhos inédita. Li em apenas um dia, e o peguei emprestado da minha madrinha :) 

Provavelmente você já se deparou com uma tirinha da Dona Anésia por aí, marcantes pelo humor bastante ácido. Elas são publicadas no Instagram @dona.anesia e também no site do quadrinista Will Leite: http://www.willtirando.com.br/category/anesia/.



"Anésia" é uma leitura rápida e leve, perfeita para aqueles momentos em que você apenas deseja desopilar. O sarcasmo absurdo da protagonista é o ponto alto das tirinhas, sempre com uma resposta amarga (e engraçada) na ponta da língua. Além disso, podemos acompanhar a sua relação com Dolores, sua melhor amiga, com sua família e com um senhorzinho apaixonado por ela. Ah, prestem atenção nos cantinhos inferiores das páginas, pois os personagens fazem comentários sobre algumas tirinhas!


A obra ainda conta, como disse no início desta resenha, com uma história inédita, chamada "O Sábio do Asilo", onde Anésia, ao ir comprar um remédio para a sua filha, pega um ônibus que a leva para o outro lado da cidade. Assim, ela acaba entrando por acidente em um asilo, precisando descobrir, com a ajuda de outros velhinhos, como sair de lá. A narrativa é claramente inspirada em "O Mágico de Oz", desde a busca pelo "sábio" ao se seguir a trilha de tijolinhos amarelos até na personalidade dos velhinhos que se tornam amigos de Anésia. A história ainda deixa uma importante mensagem sobre os idosos, como é possível ser visto no seguinte trecho: "Já não é fácil viver longe da família e cheio de limitações. A última coisa que precisam é de alguém que os faça acreditar que não passam de fardos. De coisas velhas esperando para ser jogadas fora". 


Recomendo! <3



terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Resenha: "Depois Daquela Viagem"

fevereiro 08, 2022 0 Comments
DEPOIS DAQUELA VIAGEM
Autora:
 Valéria Piassa Polizzi
Editora: Ática
Número de páginas: 288
Nota: 4/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de "Depois daquela viagem", livro que terminei de ler ontem. Já queria lê-lo há um tempo, pois uma amiga minha comentou que ele estava na lista dela e eu achei a sinopse interessante. Para a minha sorte e felicidade, fui ver os livros na biblioteca da minha escola e me surpreendi ao ver que ele estava lá! Peguei emprestado e posso dizer que foi uma leitura bastante agradável!


"Depois Daquela Viagem" é um relato autobiográfico da brasileira Valéria Piassa Polizzi, que contraiu AIDS na adolescência ao fazer sexo sem camisinha em uma época em que a doença estava em seu auge, assim como o preconceito. Dessa forma, ela narra a sua realidade com a doença e fala sobre outros aspectos de sua vida, como amizade, família e vestibular. A "viagem" presente no título, de início, pensei ter sido a viagem que ela fez em um cruzeiro onde ela conheceu seu primeiro namorado, que passou o vírus HIV para ela e que foi abusivo (inclusive, ela fala um pouco sobre esses aspectos do relacionamento dos dois, fazendo um alerta para esse tipo de situação). No entanto, houve uma outra viagem bastante relevante em sua vida e bastante presente no livro: a que ela fez para os Estados Unidos para estudar inglês, e, lá, mudou a sua perspectiva sobre a doença. É essa a viagem a qual o título faz referência, fato confirmado por um vídeo que assisti da autora (esse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=-YzBfVSzQ4s&t=377s)



A linguagem utilizada por Valéria é bastante simples e cotidiana, dando a impressão de que estamos conversando com ela. Isso colabora para que a obra seja dinâmica e para que a leitura flua facilmente. Além disso, creio que isso ainda aproxima o leitor do livro, fazendo com que ele atinja seu objetivo de conscientizar as pessoas (com foco nos adolescentes) acerca da AIDS. Aliás, a leitura me despertou um interesse maior pelo tema, e até vou dar uma pesquisada para poder aprender mais sobre ele. Por isso, acredito que seja uma ótima obra para ser trabalhada nas escolas. Recomendo! =)  

Blog da Valéria: http://valeriapiassapolizzi.blogspot.com/

Informe-se sobre o tema: http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv

Informações sobre a AIDS no site do Médicos Sem Fronteiras

https://bvsms.saude.gov.br/hiv-e-aids/#:~:text=Aids%20%C3%A9%20a%20S%C3%ADndrome%20da,pelo%20aparecimento%20de%20doen%C3%A7as%20oportunistas.


CITAÇÕES FAVORITAS ❤

"Meu tio dissera que fotografia era uma coisa mágica. Era como parar um instante no tempo" - Página 32

"[...] Em vez de ficar tentando formar ideias a respeito dos outros com base nesses preconceitos (a maioria furados), eu deveria simplesmente prestar atenção no que aquela pessoa tinha a me dizer. O que ela, como ser humano, tinha lá dentro de si. [...] Quantas pessoas eu havia deixado de conhecer, quantas coisas eu havia deixado de aprender por conta desses malditos preconceitos?" - Página 91

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Minhas músicas favoritas de cada álbum do Arctic Monkeys :)

janeiro 17, 2022 0 Comments

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 05/06/2022


Oi, pessoal! No ano passado eu fiz uma postagem com minhas músicas favoritas de cada álbum do Coldplay, e, hoje, decidi trazer minhas favoritas de cada álbum do Arctic Monkeys, minha outra banda predileta :)


Até hoje, o Arctic Monkeys lançou 6 álbuns, e o sétimo está previsto para chegar ainda esse ano. Estou bastante animada com o que está por vir, porque a característica da banda que eu mais admiro é a capacidade de se reinventar, de inovar a cada álbum lançado. Assim, não sabemos ao certo o que esperar, especialmente porque o último álbum deles (Tranquility Base Hotel&Cassino) é bastante diferente de absolutamente tudo que eles haviam produzido até então. Foi um rumo tomado totalmente inesperado, e até difícil, porque o TBHC é diferente não apenas da discografia da banda, mas de tudo que eu tinha ouvido até aquele momento (e acredito que para a maioria das pessoas seja assim também). Assim, é um álbum difícil de gostar de primeira, mas recomendo a insistência. No final, vale a pena (pelo menos valeu para mim). Então, a perspectiva sobre o que virá a seguir é bastante excitante. Quando eles tiverem lançado o álbum, pretendo voltar aqui ao Sementes e falar sobre ele. 


Vale destacar que minha opinião pode mudar ao longo do tempo, e isso é completamente normal. Dito isso, vamos às músicas favoritas! 


WHATEVER PEOPLE SAY I AM,THAT'S WHAT I AM NOT (2006)



Primeiro disco da banda, foi lançado no ano de meu nascimento: 2006! "Whatever People Say I Am, That's What I Am Not" é o álbum de estreia (primeiro disco de um artista) que vendeu mais rapidamente na história da música britânica, sendo um grande sucesso. Aliás, adoro o título do álbum, que significa, em português: "O que quer que as pessoas digam que eu sou, isso é o que eu não sou". Acho que é um excelente nome, especialmente para um disco de estreia. Como se a banda estivesse deixando um recado: "não nos definam". Não sei se foi a intenção, mas é assim que eu interpreto :)

Música favorita: A Certain Romance. Eu já indiquei essa música aqui no blog, em um post em que eu indicava a banda. Na época eu ainda não tinha ouvido o álbum todo, então disse que ainda podia mudar de opinião, caso descobrisse alguma outra música no disco que me marcasse mais. Bom, eu ouvi o álbum inteiro e posso afirmar que A Certain Romance continua sendo a minha favorita hahaha 😅 Claro, ainda posso mudar de opinião... Mas, no momento, segue sendo "A Certain Romance". É uma canção encantadora. Gostaria de citar "Mardy Bum" e "When The Sun Goes Down", minha outras favoritas do álbum (é meu top 3). Uma das b-sides de When The Sun Goes Down, "Settle for a Draw", é uma das minhas favoritas da banda! Como bônus, vou indicar "Bigger Boys and Stolen Sweethearts", b-side de "I Bet You Look Good On The Dancefloor" (outra música que gosto bastante no álbum. No entanto, eu precisei ouvi-la algumas vezes até gostar dela hahahaha). 
Coloquei duas versões de "Mardy Bum" aqui, porque a segunda (mais lenta) é lindíssima e acho que merece ser colocada aqui. As duas versões combinam perfeitamente com a música!



 






FAVOURITE WORST NIGHTMARE (2007)




Lançado em abril de 2007, Favourite Worst Nightmare é o segundo álbum da banda. Nele foram lançados "505", música que me introduziu à banda e fez com que eu ouvisse outras mais famosas, e "Only Ones Who Knows", música que me fez buscar outras, menos conhecidas pelas pessoas em geral, para ouvir. Costumo dizer que foram as duas músicas que fizeram com que eu ouvisse ao Arctic Monkeys, mas em momentos e de formas diferentes :) Expliquei melhor sobre como eu comecei a ouvi-los (ainda que de forma resumida), nesse post aqui: "Arctic Monkeys: minha melhor descoberta musical na quarentena :)". 

Música favorita: 505. Sei que é uma escolha óbvia, mas realmente é a que eu mais gosto. Também tenho um carinho especial pela canção, por ter sido com ela que tudo começou. Amo a sonoridade dela, a forma como ela começa mais baixinha e vai crescendo à medida que é cantada e tocada, terminando de forma grandiosa e emocionante, praticamente gritada (mas de uma forma bonita, sabe? Você tem que ouvir para entender do que eu eu estou falando). Em segundo lugar, colocaria "Only Ones Who Know", que também recebe um carinho especial meu, pelo motivo citado no parágrafo anterior.  Ela é tão melancólica, tão bela. Em terceiro lugar, "Do Me A Favour" :)






HUMBUG (2009)




Um dos meus álbuns favoritos da banda! Não consigo decidir entre ele e o Suck It and See hahaha (às vezes é ele, às vezes o SIAS...). Lançado em agosto de 2009, Humbug significa algo como "farsa" em inglês, e é um título bastante sugestivo para um álbum. A estética do Humbug é a minha favorita do Arctic Monkeys! A atmosfera instigante, melodicamente e também com relação às letras me fascina. Ah, e sabe a versão ao vivo de "Do Me a Favour" que coloquei lá em cima? É da época do Humbug: um show no Reading Festival de 2009. Não cheguei a assistir ao show todo, mas vi uma boa parte. É muito bom! Até baixei no meu computador.
Um desenho belíssimo que faz referência ao álbum era meu papel de parede na época em que originalmente escrevi este post - janeiro/2022 - e antigamente era uma fanart de Cornerstone, sétima faixa do disco. Hoje em dia é uma foto de Alex Turner (vocalista da banda), na época do álbum. Porque, na minha humilde opinião, essa é a época em que ele está ainda mais bonito hahaha 

Música favorita: Cornerstone. Se eu tivesse que escolher uma favorita dentre todas que conheço da banda, escolheria Cornerstone. O ritmo e a letra são maravilhosos, sendo uma das minhas composições favoritas do Alex Turner. Eu falei sobre ela no post em que indico o Arctic Monkeys, e vou copiar e colar o que eu escrevi sobre a letra, pois minha opinião permanece a mesma: " [...] A sua letra conta a história de um rapaz que não esqueceu a garota que ele ama, então ele passa a vê-la em vários lugares e em outras pessoas, e pergunta se pode chamar as meninas com quem ele fica pelo nome da mulher que ele não esqueceu (creio que isso tenha sido proposital, pra mostrar o desespero e a carência do eu lírico). Já li outras interpretações, que também fazem sentido, que dizem que ele não esqueceu a garota que ele amou porque ela faleceu, então a sua reação teria a ver com o luto.  Meus versos favoritos da música são: "Tell me where's your hiding place/I'm worried I'll forget your face" (Me diga onde é o lugar em que você se esconde/Estou preocupado em acabar esquecendo seu rosto). [...]". Em segundo lugar, encontra-se "Secret Door", que também é fascinante e lindíssima! Ela me toca bastante, e tem uma versão ao vivo dessa música que conseguiu fazer com que lágrimas brotassem em meus olhos (acho que estava mais sentimental naquele dia). Coloquei essa versão aqui no post. Lembro da sensação de plenitude que senti naquele momento. Foi bom. Em terceiro lugar, "Crying Lightning", que eu não conseguia gostar de jeito nenhum! No entanto, em um belo dia do ano passado, estava baixando o Humbug para colocar as músicas no meu pen-drive, e "Crying Lightining" soou de repente maravilhosa aos meus ouvidos - como ela de fato é. A canção é super contagiante e, sinceramente, que bom que eu dei várias chances a ela (no final, valeu super a pena!). Tem uma versão acústica da música que eu gosto tanto quanto a original, lançada em um álbum acústico feito por fãs, o "Straighten The Rudder". Vale a pena conferir! Gostaria de destacar também "My Propeller", que costumava ocupar o terceiro lugar, antes de eu perceber que ele era de Crying Lightining. O single de "My Propeller" é meu favorito da banda, com destaque para "The Afternoon's Hat". Simplesmente perfeito!! 










SUCK IT AND SEE (2011)



Meu outro álbum predileto da banda! O Suck It and See e o Humbug dividem o primeiro lugar <3 Lançado em 2011, também gosto muito do título dele. "Suck It And See" é uma expressão britânica que significa que você tem que tentar/provar algo antes de julgar se você vai gostar daquilo ou não, se é bom ou ruim. Além disso, a capa do álbum é extremamente minimalista: literalmente, um fundo de cor creme com o nome "Suck It And See" no centro. Essa é a capa. E eu acho isso genial! Isso significa que você deveria ouvir o álbum de fato antes de julgá-lo pelo que ele supostamente parece ser. É algo que deveríamos levar para nossas vidas - mesmo que seja algo difícil. Ah, só um detalhezinho: a capa foi censurada nos Estados Unidos. Isto porque, como eu disse, a expressão é britânica, então, para os estadunidenses, o significado é completamente diferente, literal. Então, caso você decida ir aos EUA ou algum outro país cujo inglês não seja o britânico, não usem essa expressão. Sério. 

Música favorita: She's Thunderstorms, que tem um ritmo e uma letra bem bonitos. Adoro o título: "Ela é tempestades". Intensa, alguém que vive a vida. E é no plural mesmo. Acho isso muito legal! Em segundo lugar, "The Hellcat Spangled Shalalala". Apesar de a letra não fazer sentido nenhum, essa música simplesmente faz com que eu me sinta bem. E eu amo isso. Amo a forma como ela faz com que eu me sinta: empolgada e bem. Em terceiro lugar, "Love is a Laserquest", que não chamou a minha atenção de início. No entanto, estava eu, navegando no Pinterest, quando aparece o trecho de uma música do Arctic Monkeys ("Do you look into the mirror to remind yourself you're there?" Você se olha no espelho para se lembrar de que você está lá?). Achei muito profundo, então fui pesquisar para descobrir que música era aquela. Para a minha surpresa, era Love Is a Laserquest, que eu nem tinha dado bola! Fui ler a letra na íntegra, e isso fez com que a canção soasse mil vezes mais bonita aos meus ouvidos. Não é à toa que é a minha letra favorita da banda (Alex Turner e suas letras que capturam a essência poética do cotidiano... como não se encantar?). Eu gosto ainda mais da versão acústica, gravada para uma rádio. Vou colocá-la aqui. 





AM (2013)



Lançado em setembro (meu mês!) de 2013, AM é o álbum de maior sucesso do Arctic Monkeys. Até hoje, o disco prolonga seu êxito (tanto é que "Do I Wanna Know?", canção mais famosa deles, acumula mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube). Acredito que a maioria das pessoas tenha começado a ouvir a banda por causa desse álbum, e comigo não foi muito diferente. Embora "505" seja de outro álbum, no começo eu ouvia só, basicamente, algumas canções mais famosas do AM, "505" e "Flourescent Adolescent" (do FWN, assim como 505). É um álbum muito bom, de fato, sendo o meu terceiro favorito da banda! À título de curiosidade, o nome "AM" faz referência a um álbum chamado "VU", iniciais do The Velvet Underground. 

Música favorita: No. 1 Party Anthem. Calma, considero essa música muito bonita, capaz de transmitir um verdadeiro sentimento de paz a quem escuta - pelo menos a mim. Em segundo lugar, "Mad Sounds", também bastante tranquila. A parte do "Ohh, la la la, Ohh la la la" é muito boa. Se você fechar os olhos, é como se estivesse nas nuvens. Acho que a canção, em si, é transcendental. Em terceiro lugar, temos "Fireside", mais agitada do que as outras duas citadas aqui. Ela também faz com que eu me sinta ótima. Agora vai uma informação que é coincidência pura, mas uma coincidência bem legal: no álbum, Mad Sounds vem logo depois de No. 1 Party Anthem, sendo seguida por Fireside. Minhas 3 músicas favoritas do álbum estão juntinhas no disco, em ordem ainda por cima! Adoro isso. 







TRANQUILITY BASE HOTEL&CASSINO (2018)



Já falei sobre o álbum no início deste post, e costumo me referir a ele como "o diferentão", mas é de forma carinhosa hahaha O álbum é bastante conceitual, e, não sei o porquê, mas me passa uma energia intelectual e pomposa. Curiosidade: "Tranquility Base" é um local de pouso na lua. É daí que deriva o nome do disco. Legal, né? Com músicas mais calmas, o álbum é ótimo para quem está procurando ouvir algo mais relaxante.

Música favorita: Four Out Of Five. É difícil chegar na parte do "Take It Easy For a Little While..." e não cantar junto. A música é contagiante! Em segundo lugar, temos "Golden Trunks", e, em terceiro, temos "The World's First Ever Monster Truck Front Flip". Gostaria de fazer uma menção honrosa à "The Ultracheese", bastante melancólica (tanto no ritmo como na letra, que é bem bonita, por sinal), "Star Treatment", música que faz referência ao The Strokes (que eu comecei a ouvir por influência do Arctic Monkeys) e à "She Looks Like Fun", cuja letra maravilhosa fala sobre a relação do ser humano com a tecnologia. Toda a letra nos leva à reflexão sobre os rumos tecnológicos e como estamos ficando dependentes dessas tecnologias, como isso pode nos afetar tendo em vista o futuro. Também é uma das minhas composições favoritas da banda. Tem um site que eu gosto muito, chamado "Songs Facts". Sempre que eu tenho dúvida sobre a interpretação de alguma música de que gosto, vejo se tem uma explicação por lá. Vale a pena conferir o que é falado de She Looks Like Fun (e de outras músicas também): https://www.songfacts.com/facts/arctic-monkeys/she-looks-like-fun. Tem uma parte da música, em particular, que é assim: 

"Good morning
(She looks like fun)
Cheeseburger
(She looks like fun)
Snowboarding
(She looks like)"

"Bom dia
(Ela parece divertida)
X-burguer 
(Ela parece divertida)
Snowboarding
(Ela parece)"

Ela parece não ter sentido nenhum, mas faz referência ao feed das redes sociais, a constante tentativa de projetar uma vida perfeita no mundo virtual. É o tipo de coisa que poderia ser citada em uma redação do ENEM. Nossa, se eu fosse da banca e me deparasse com uma redação que citasse o Arctic Monkeys, eu iria flutuar! 

NOTA DE 14/04/2022: Voltei a esse post pra poder dizer que realmente citei "She Looks Like Fun" na redação KKKK Eu tive que escrever na escola um texto dissertativo-argumentativo (estilo ENEM mesmo) sobre Nomofobia (medo de ficar sem o aparelho celular), e eu usei a música como repertório sociocultural. Tirei uma boa nota, e eu comentei com minhas amigas que o Arctic Monkeys me deu sorte. Até na redação!!! Qualquer oportunidade que eu tenho de falar sobre eles eu falo. E não é que deu certo? Vou colocar aqui o parágrafo em que eu citei a música. 
    
    "Como apontado na canção 'She Looks Like Fun', da banda Arctic Monkeys, a sociedade está avançando para um futuro em que a tecnologia domina todos os aspectos da vida da população, sendo onipresente. Apesar de distópica, a realidade apontada pela música se aproxima do atual cenário social, como mostrado no trecho 'Ninguém nas ruas\ Nós nos mudamos para o online.". Paralelamente, a sociedade contemporânea está se isolando em decorrência da nomofobia, o que afeta as relações sociais fundamentais ao desenvolvimento e bem-estar dos indivíduos. Para combater essa situação, o governo deve criar campanhas em prol da educação digital e incentivar a população a realizar atividades em grupo, que não exijam o uso de celulares." 





FIM! <3

Bom, é isso, pessoal! Ouvir música é uma terapia pra mim, e, nos últimos tempos, o Arctic Monkeys vem sendo meu terapeuta favorito. Gostei muito de escrever esse post, porque, pra ser sincera, não conheço ninguém com quem possa conversar sobre esse tipo de coisa ( as bandas que eu gosto, esse tipo de música), então foi muito bom escrever sobre isso aqui no blog. Amo falar sobre as coisas que eu amo, e o Arctic Monkeys é uma dessas coisas. Tem uma frase de Alex Turner que eu gosto muito, é essa aqui:

“There is always that one band that comes along when you are 14 or 15 years old that manages to hit you in just the right way and changes your whole perception of things.”

"Tem sempre uma banda que aparece quando você tem 14 ou 15 anos que consegue te atingir da maneira certa e que altera toda a sua percepção das coisas." 

Para ele, essa banda foi o The Strokes. Para mim, é o Arctic Monkeys. Engraçado, não? ❤
Ah, o aniversário dele foi 6 de janeiro. Acho que ainda vale desejar parabéns. 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Retrospectiva Cinematográfica 2021 :)

dezembro 31, 2021 0 Comments


Oi, pessoal! Esse ano eu adquiri o hábito de anotar os filmes que eu assisto, e, por isso, decidi trazê-los aqui neste post! Ano passado eu até tentei anotar certinho, mas depois perdi o fio da meada. Já em 2021, eu anotei quase todos (digo quase todos porque provavelmente faltam alguns, mas é a minoria). Ao lado do nome dos filmes, irei colocar a nota que dei a eles. Eu escrevi umas postagens para alguns filmes citados na lista desta retrospectiva, e estes estão em vermelho. Basta clicar no nome dele para ser redirecionado a ela :) Coloquei um coração ao lado dos filmes que eu mais gostei e que mais me marcaram. 

Ah, os filmes não estão na ordem em que foram assistidos, porque às vezes eu anotava um filme e me lembrava de outro que assisti antes e não tinha anotado (e, mesmo assim, provavelmente eu esqueci alguns). De qualquer forma, tentei deixar um negócio mais organizado. Alguns dos filmes eu já havia assistido antes, mas assisti novamente esse ano, como é o caso de "Grease" , "O Palhaço" e alguns outros. Enfim, vamos lá!


  1. The Mask You Live In - 4/5⭐
  2. Pai Em Dobro - 3/5⭐
  3. Meninas - 4/5⭐
  4. Agora e Para Sempre - 3,5/5⭐
  5. O Espelho Tem Duas Faces - 4/5⭐
  6. Pai Por Engano - 4/5⭐
  7. O Filho Eterno - 3,5/5⭐
  8. Pequena Miss Sunshine - 4/5⭐
  9. Snoopy e Charlie Brown: O Filme - 3,8/5⭐
  10. O Show de Truman - 4/5⭐
  11. (500) Dias Com Ela - 4,3/5⭐❤
  12. A Viagem de Chihiro - 4/5⭐ 
  13. Moxie - 3/5⭐ (Irei colocar também o link da resenha do livro, que é muito melhor que o filme: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2021/06/resenha-moxie-quando-as-garotas-vao-luta.html)
  14. Na Mesma Onda - 3/5⭐
  15. Bee Movie - 4/5⭐
  16. Como Eu Era Antes de Você - 3,5/5⭐
  17. Me Chame Pelo Seu Nome - 3,5/5⭐
  18. Central Do Brasil - 5/5⭐❤
  19. Ai que Vida! - 4/5⭐
  20. A Razão do Meu Afeto - 4/5⭐
  21. Grease: Nos Tempos da Brilhantina - 4,8/5⭐❤ (Assistido pela milionésima vez hahaha)
  22. Legalmente Loira - 4,8/5⭐❤
  23. Luca - 4/5⭐
  24. Legalmente Loira 2 - 3,5/5⭐
  25. As Vantagens de Ser Invisível - 3,8/5⭐ (Falei do livro por aqui, e um pouquinho do filme na resenha dele. Dá uma conferida: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2021/07/resenha-as-vantagens-de-ser-invisivel.html)
  26. Cine Gibi 1 - 4/5⭐
  27. De Volta Para o Futuro - 4,5/5⭐❤
  28. A Última Carta de Amor - 3/5⭐
  29. De Volta Para o Futuro II - 3,5/5⭐
  30. Cartas Para Julieta - 3,5/5⭐
  31. Você Nem Imagina - 2,5/5⭐
  32. Meu Malvado Favorito 3  - 4/5⭐
  33. Encurralados - 3,5/5⭐
  34. De Volta Para o Futuro III - 4,5/5⭐❤
  35. O Palhaço - 4/5⭐❤ 
  36. Podres de Ricos - 3/5⭐
  37. Diários de Intercâmbio - 3/5⭐
  38. A Vida em Um Dia - 2,5/5⭐
  39. Em Busca de Uma Nova Chance - 3,5/5⭐
  40. Tomates Verdes Fritos - 4,5/5⭐❤ (Fiz a resenha do livro, e, nela, falei um pouco do filme também: https://sementesliterariasbooks.blogspot.com/2021/12/resenha-tomates-verdes-fritos.html) 
  41. Confissões de Uma Garota Excluída - 3/5⭐
  42. Quatro Amigas e um Jeans Viajante - 4,5/5⭐❤
  43. Quatro Amigas e um Jeans Viajante 2 - 4/5⭐
  44. Esticando a Festa - 3,8/5⭐
  45. Hotel Transilvânia 3 - 3,5/5⭐
  46. Como Treinar seu Dragão - 4,5/5⭐❤
  47. Mamonas Para Sempre - Sem nota porque eu assisti da metade até o final, porque estava passando no Canal Brasil. Quando eu tiver assistido o começo, volto aqui para dar uma nota kkkk De qualquer forma, eu gostei bastante da parte que eu assisti.
  48. Como Treinar seu Dragão 2- 3,5/5⭐
  49. Como Treinar seu Dragão 3 - 4,5/5⭐❤
  50. Minha Mãe é uma Peça - 3,5/5⭐
  51. Margaritas Com Canudinho - 4/5⭐
  52. Confissões de Adolescente - 4,2/5⭐❤
  53. Divã - 4,2/5⭐❤
  54. O Menino do Pijama Listrado - 4,8/5⭐❤
  55. Unpregnant - 4/5⭐
  56. As Memórias de Marnie - 4,8/5⭐❤ 
  57. Memórias de Ontem - 3,5/5⭐
  58. Vidas ao Vento - 3,5/5⭐
  59. Lulli 3,8/5⭐

❁❁❁❁❁

Ufaa! Foram muitos filmes (ainda bem!), e olha que provavelmente faltaram alguns hahaha 
Você já assistiu a algum da lista? Me conta nos comentários =) Feliz Ano Novo!! <3

Retrospectiva Literária 2021 :)

dezembro 31, 2021 0 Comments


Oi, pessoal! Hoje trago a retrospectiva literária de 2021! Esse ano eu li bem menos do que no ano passado, mas, em partes, o motivo disso é porque decidi focar mais nos estudos (esse ano foi mais puxado). No entanto, no fim, o que importa é que li bons livros, que me marcaram e que fizeram esse ano extremamente difícil um pouco melhor. 


Vamos a para a lista dos livros (em ordem!). Vale ressaltar que você encontra a resenha de todos eles aqui no blog :) 


  1. Chico Bento: Arvorada - Orlandeli 
  2. Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida - Glberto Dimenstein ❤
  3. Doces Magnólias: Linda Conquista -Sherryl Woods
  4. Modern Love - Daniel Jones ❤ 
  5. Peanuts: Filosofia de Vida - Charles M. Schulz 
  6. Moxie- Jennifer Mathieu 
  7. Peanuts: Ninguém Mais Tem o Espírito Aventureiro... - Charles M. Schulz 
  8. Lonely Hearts Club - Elisabeth Eulberg 
  9. As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky 
  10. Rose Procura Jack - Mel Darborn 
  11. The Prom: A Festa De Formatura - Sandra Mitchell
  12. Não Se Esqueçam da Rosa - Giselda Laporta Nicolelis 
  13. Éramos Seis - Maria José Dupré ❤
  14. Tomates Verdes Fritos - Fannie Flagg ❤ 


É isso, pessoal! Fico feliz que ao menos li 14 livros, 2 a mais do que se eu tivesse lido um para cada mês. Espero ler mais no ano que vem (ou, pelo menos, tentar). A minha melhor leitura, foi, definitivamente, "Éramos Seis", mas, falando de maneira geral, eu gostei bastante dos livros que li esse ano! Feliz Ano Novo e que venham muitas boas leituras em 2022 para nos ajudar a passar por esses dias de luta (e, espero, de glória!)! ❤🥰

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Resenha: "Tomates Verdes Fritos"

dezembro 30, 2021 3 Comments
TOMATES VERDES FRITOS
Autora:
 Fannie Flagg
Editora: Globo
Número de páginas: 432
Nota: 4,5/5 ⭐


Oi, pessoal! Hoje trago a resenha de "Tomates Verdes Fritos no Café da Parada do Apito" (título grande kkk), que li neste mês de dezembro. Conheci a história por meio do filme da década de 90 (creio que a maioria das pessoas também), e, ao descobrir que tinha livro, tratei de colocar logo na lista. O livro é ainda melhor que o filme, mas o longa foi uma adaptação fiel, de qualquer forma. Claro, vááários detalhes foram deixados de fora, mas isso já é de se esperar. Além disso, por meio da obra literária, conhecemos mais a fundo a história dos coadjuvantes (alguns deles que nem existem no filme), e isso é algo muito interessante, pois permite que sejamos ainda mais cativados pelos personagens. 

Li a obra rapidamente, em menos de 1 semana (fui dormir 2 dias seguidos 1h da manhã porque não conseguia parar de ler, e foi a primeira vez que eu fiz algo do tipo). Isso se deve à história extremamente cativante e dinâmica, de linguagem fluida e simples e a seus capítulos curtos. 


A história "Tomates Verdes Fritos" se situa no Alabama, no sul dos Estados Unidos, entre o começo do século XX e os anos 80, e os capítulos se passam na Parada do Apito, pequena cidade do Alabama, e em Rose Terrace, uma casa de repouso. Assim, eles alternam entre épocas e lugares, havendo também os capítulos que são uma espécie de jornalzinho da Parada do Apito, fazendo com que o leitor se sinta ainda mais inserido naquele ambiente. Aliás, esse jornalzinho, chamado de "Semanário Weems" e escrito por uma moradora local, é um ponto alto do livro, pois são bastante engraçados, ajudando a dar mais leveza à história. 


Nos anos 80, a história acompanha Evelyn Couch, uma mulher de meia-idade depressiva na época da menopausa, insatisfeita com seu casamento e consigo mesma, e Ninny Threadgoode, uma senhorinha que vive momentaneamente em Rose Terrace, pois ela decidiu acompanhar a sua amiga até que ela se acostumasse com o local.  Evelyn frequentava a casa de repouso para visitar a sua sogra, e, enquanto o marido conversa com a mãe no quarto, ela ficava esperando na sala de visitas. Foi lá que ela conheceu Ninny, que começou a contar para Evelyn histórias das pessoas que viviam na Parada do Apito, lugar em que ela passou toda a sua vida. Assim, somos teletransportados à cidadezinha não apenas por meio dos capítulos dedicados a ela, mas também por meio das histórias que Ninny conta. Dessa forma, Evelyn e Ninny rapidamente desenvolvem um forte laço de amizade, que impacta positivamente a vida das duas, sendo muito bonito poder acompanhar a evolução delas em decorrência desse laço criado. Além disso, a amizade de ambas é muito importante para o desenvolvimento pessoal delas, assim como as histórias contadas por Ninny, que ajudam Evelyn a refletir sobre a própria vida e a evoluir. 


Já na Parada do Apito, somos apresentados a vários personagens, como toda a família Threadgoode, Ruth, Sipsey, Big George, Eva, Smokey Solitário, Onzell, entre tantos outros. Acompanhamos, especialmente, Idge Threadgoode, cunhada de Ninny, e Ruth, pois são as proprietárias do Café da Parada do Apito, cujo um dos pratos de destaque eram tomates verdes fritos (daí o título). Li várias resenhas, antes de ler o livro, que diziam que Idge e Ruth mantinham um relacionamento homossexual, mas, ao concluir a leitura, fiquei me questionando com relação a isso, porque era algo bastante implícito. Eu estranhei porque todos tratavam o relacionamento das duas de forma bastante compreensiva para a época (esta marcada pelo forte preconceito). Dando uma pesquisada e lendo a opinião de outros leitores, vi que a autora nunca havia afirmado que se tratava de um relacionamento homossexual, mas, ao ler o livro, vemos que a o amor das duas ia além da amizade. Até mesmo a forma como as pessoas ao redor e o livro tratavam o relacionamento das duas fazia parecer que se tratava de um casal. Então, sim, eu acredito que Idge e Ruth realmente eram um casal lésbico. Assim, ao meu ver, elas nutriam um amor romântico uma pela outra, mas, em decorrência da época em que a história se passa, e talvez também por conta da época em que foi escrita (final dos anos 80), isso foi apresentado de forma implícita e elas não assumiram o relacionamento homossexual. Enfim.


Idgie é uma personagem um tanto fechada emocionalmente, especialmente depois do falecimento de seu irmão mais velho, Buddy. No entanto, quando Ruth vai passar o verão na casa dos Threadgoode, pois ela foi mandada para lá pra cuidar de algumas atividades da igreja local, Idge se abre mais, e é gratificante acompanhar o impacto que essa relação gera em ambas (assim como ocorre com Ninny e Evelyn). Ruth, por outro lado, estava noiva de Frank Bennett, um homem extremamente abusivo. A partir disso, vemos como a relação das duas se desenvolve, mesmo em meio a tantas dificuldades. Vínculo muito bonito, por sinal, marcado pelo companheirismo, respeito e apoio mútuo. Assim, com o passar dos anos, elas abrem um Café na Parada do Apito, importante pano de fundo de vários eventos da história, como já citado nesta resenha. Além disso, elas também criam um filho juntas, fruto do relacionamento abusivo de Ruth com Frank. 



"Tomates Verdes Fritos" também fala bastante sobre racismo, extremamente presente nos Estados Unidos naquela época. Ele mostra diversos aspectos da época a esse respeito: a Ku Klux Kan, o fato de que negros não podiam frequentar estabelecimentos geridos por brancos, o tratamento injusto apoiado pela lei, etc. Isso é especialmente possível porque o livro não se restringe à Evelyn, Ninny, Idge e Ruth: ele também dá voz aos coadjuvantes, por meio de capítulos focados neles. Isso é algo que eu gostei bastante, pois nos sentimos mais íntimos dos personagens e familiarizados com suas histórias. Além disso, o fato de o livro abordar esse tema explicitamente e de forma marcante durante toda a leitura é um ponto alto, e faz com que nós, leitores, nos conscientizemos ainda mais acerca dele e de como ele se manifestava no passado (e, infelizmente, ainda no presente, mesmo que de forma diferente).

A obra também aborda outros temas super importantes, como o tratamento recebido pelas mulheres na época e o impacto que a Grande Depressão (Crise de 29) gerou entre as pessoas, por meio da ótica dos habitantes da Parada do Apito. Esse pano de fundo histórico torna o enredo ainda mais instigante. 


Além disso, no final da obra encontramos algumas receitas de Sipsey, que fazia as comidas do Café. Isso é algo bem legal, e permite que o leitor se conecte ainda mais à história e ao ambiente criado. 




Na edição do livro, encontrei alguns erros ortográficos, mas nada que atrapalhe de maneira significativa a leitura. No entanto, algo que me incomodou um pouco foi a situação temporal, mas, também, nada que atrapalhe muito. Por exemplo: no decorrer da leitura, vemos que determinado fato ocorreu em um ano X, mas, depois, o livro afirma que ocorreu em ano Y. Darei um exemplo mais concreto, mas, como é um spoiler, pule para o parágrafo seguinte se não quiser lê-lo. (SPOILER 🚨) O livro afirma, inicialmente, que Ruth faleceu em 7 de fevereiro de 1947, mas, depois, vemos no livro que na sua lápide consta o ano de 1946 (o que não faz sentido, já que ela foi enterrada poucos dias depois ao de sua morte, em 1947). Além disso, em outra passagem, que se passa em outubro de 1947, Idge fala de Ruth ao filho delas, dizendo que ele "está preocupando sua mãe [Ruth] e eu [Idge]", ou seja, como se ela ainda estivesse viva (o filho não a corrige). ( FIM DO SPOILER 🚨)


Eis outra coisa que me incomodou: em dado momento da história, Evelyn cria, em sua cabeça, Towanda, sua versão super-heroína, que representa a sua raiva e as suas mágoas acumuladas por tanto tempo, já que ela não se permitia sentir tudo isso. Assim que imagina a personagem, ela pensa no que faria no mundo para que ele se tornasse um lugar melhor, e, dessa forma, o livro cita diversos debates relevantes e importantes, como a questão da pornografia, da igualdade de homens e mulheres no cenário político, entre outros. Dessa forma, quando eu estava perto de concluir o capítulo em que Towanda foi imaginada, eu estava me sentindo super inspirada, até que eu leio a seguinte frase: “[...] Towanda varreu todo o Oriente Médio a fim de evitar uma Terceira Guerra Mundial.”. Eu parei de ler imediatamente (voltei só uns 15-20 min depois). Que frase absurda! 

É extremamente equivocado achar que a solução para evitar uma Terceira Guerra Mundial seria a eliminação da existência do Oriente Médio. Afirmar isso é extremamente perigoso, e colabora para uma visão xenofóbica acerca do local. Se alguém que não possui o mínimo de conhecimento acerca do tema ler essa frase, essa pessoa pode achar que ela está de fato correta, e cria-se uma visão preconceituosa acerca do Oriente Médio. Além disso, é muito hipócrita uma estadunidense afirmar isso, visto que os Estados Unidos esteve envolvido em diversas guerras e tensões ao longo da História, sendo protagonista de várias. Não irei me estender no assunto porque não é o foco da resenha, mas quis deixar registrado meu pensamento sobre esta passagem equivocada. O livro não deixa de ser muito bom por isso, e o mérito de todas as discussões importantes que ele levanta não é anulado, muito menos a sensibilidade da história. Mas não pude deixar de ficar chateada quando li isso, e o fato de o livro ter sido lançado em 1987 não é justificativa.

De qualquer forma, a leitura vale muito a pena, e carrega consigo uma importante lição sobre o impacto que temos na vida das outras pessoas e sobre os laços afetivos que desenvolvemos ao longo da vida. "Tomates Verdes Fritos" é um livro feminista, sem sombra de dúvidas, em decorrência de toda a dinâmica entre as mulheres da obra, bastante empoderadas, e de todos os debates importantes levantados.  Enfim, uma ótima maneira de encerrar as leituras de 2021! Recomendo bastante! Feliz Ano Novo, pessoal!! =)

❁ CITAÇÕES FAVORITAS ❁


"[...] O coração continua a bater igual, mesmo que esteja partido" - Página 43

"Idgie sorriu de volta e perdeu-se no céu azul refletido nos olhos dela  [de Ruth]. Era feliz como alguém que vive uma linda paixão de verão" - Página 94

"É engraçado como a maior parte das pessoas pode estar perto de alguém e gradualmente começar a amá-lo, sem jamais saber exatamente quando foi que isso aconteceu [...]" - Página 95 

"Permanecera virgem para não ser chamada de galinha ou vagabunda; casara-se para que não a chamassem de velha solteirona; fingira orgasmos para não ouvir que era frígida; tivera filhos para que não a chamassem de estéril; não fora feminista para não ser chamada de sapatão ou misândrica; nunca falou em voz alta ou perdeu a linha para não ser chamada de puta... 
Fez de tudo, e, ainda assim, um estranho a arrastara ao esgoto com palavrões que os homens usam contra as mulheres quando estão nervosos." - Página 253. Eu considero esse trecho particularmente maravilhoso, pois, infelizmente, é um retrato bastante realista de diversas mulheres ao redor do globo

"Evelyn questionava: por que sempre palavrões ligados ao sexo? E por que, quando os homens queriam ofender outros homens, chamavam de 'mulherzinha'? Como se fosse a pior coisa do mundo."- Página 254

"Os que mas sofrem são os que menos falam" - Página 372